Francine ergueu os olhos, e ali, perto da entrada, ele estava impecável, voltando de alguma reunião, já com um buquê leve na mão e um olhar que mesclava orgulho e um frescor de novidade.
— Está atrasado — provocou Francine, com um sorriso enviesado, os braços cruzados e o olhar faiscando no meio do saguão da Montblanc.
Dorian se aproximou num passo seguro, o terno perfeitamente ajustado, o perfume discreto e caro que sempre parecia acompanhá-lo como uma sombra de autoridade.
Nas mãos, o buquê de flores brancas e miúdas parecia quase um contraste com o semblante firme, uma contradição feita sob medida.
— Eu não chego atrasado. — respondeu ele, entregando o buquê e, num movimento quase automático, puxando-a para um beijo breve, mas cheio de intenção. — Eu chego na hora certa.
O toque foi rápido, mas o suficiente para fazer Francine perder o ar por um instante.
Quando se afastou, ele manteve o polegar sob o queixo dela, com um sorriso contido, o olhar que misturava ternura e poder, o mesmo olhar que um dia a intimidou, e agora a desarmava.
De longe, Pascal observava a cena com um sorrisinho discreto, os braços cruzados e a cabeça levemente inclinada, como quem finalmente via um enredo que já sabia o final.
Dorian notou o olhar do tio e, em vez de qualquer gesto afetuoso, apenas assentiu com a cabeça, um cumprimento respeitoso, quase institucional.
— Vamos? — perguntou ele, oferecendo o braço.
Francine o aceitou, ainda com um sorriso provocador, enquanto caminhavam entre as luzes neutras do corredor e o eco dos saltos dela misturava-se ao som dos sapatos italianos de Dorian.
Do lado de fora, o motorista já os aguardava, o carro negro reluzindo sob o sol de fim de tarde parisiense.
Assim que o veículo começou a deslizar pela avenida, Dorian quebrou o silêncio:
— Então, como foi a conversa com Pascal?
— Boa. Ele é mais agradável do que eu esperava — respondeu ela, olhando pela janela. — E disse que tudo bem eu passar uns dias no Brasil.
Dorian arqueou uma sobrancelha, como quem processava a informação e já começava a tomar decisões em silêncio.
Em menos de cinco segundos, pegou o celular, ligou para alguém e falou com aquela voz baixa e objetiva que fazia qualquer pessoa obedecer sem hesitar.
— Isabelle, preciso que consiga uma passagem para Francine no mesmo voo que o meu para o Brasil. Se não houver lugar, mude o meu voo. Quero viajar com ela.
Francine virou o rosto para ele, incrédula.
— Eu sei pegar um avião sozinha, Dorian Villeneuve.
Ele desligou a chamada, guardou o telefone no bolso do paletó e se virou para ela com um meio sorriso tranquilo, o olhar firme e o tom cheio de doçura velada:
— Eu sei. Só quero garantir que você tenha a melhor companhia durante a viagem.
Francine riu, balançando a cabeça.
Puxou Francine para perto, com um movimento decidido, e os lábios dele encontraram os dela num beijo rápido, quente, quase urgente.
As mãos dele deslizaram pelas coxas dela, subindo lentamente até o tecido do vestido que cedia sob o toque firme.
O coração de Francine disparou.
O mundo pareceu desaparecer entre o som abafado da respiração e o calor que subia pela pele.
Então, como se nada tivesse acontecido, ele se afastou.
Ajustou o paletó com a elegância calculada de sempre, o olhar sereno, o rosto absolutamente composto.
— Um lembrete — murmurou, com aquele sorriso contido que a deixava sem chão — do que pode acontecer na primeira classe.
Francine ficou imóvel por um instante, tentando recuperar o fôlego e disfarçar o rubor que subia pelo pescoço.
O motorista abriu a porta, alheio à tensão no ar.
Ela desceu, ainda sentindo o corpo leve, quase trêmulo, e virou-se para olhar Dorian mais uma vez antes de entrar em casa.
Ele apenas acenou, um sorriso satisfeito no rosto, o tipo de sorriso que dizia que, no jogo entre eles, Dorian Villeneuve ainda sabia exatamente quando e como vencer.

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