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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 204

Pierre encostou-se no batente da porta com o ar teatral de sempre.

— Vai mesmo nos deixar, ma chère?

Francine ajeitou a alça da mala, sorrindo.

— Só por um tempo. Prometo que volto antes de vocês sentirem falta das minhas panquecas.

Adele cruzou os braços, fingindo indignação.

— Isso é impossível. Ninguém sente falta de panquecas quando se perde uma amiga.

O riso veio fácil, mas durou pouco.

Adele a envolveu num abraço apertado, quente, cheirando a lavanda e saudade antecipada.

— Merci por tudo, Adele. Por abrir a casa, o coração, e não me deixar enlouquecer.

— Você chegou aqui perdida e agora está indo brilhar. Não tem como não se orgulhar. Boa viagem.

Pierre piscou, tentando disfarçar os olhos marejados. Depois de meses com Francine sob sua tutela, ele já a considerava como uma filha.

— E se esse tal de Dorian te magoar, me liga. Tenho uma frigideira e não tenho medo de usá-la.

Francine gargalhou, enxugando as lágrimas.

— Eu prometo visitar sempre que estiver na França. E se Amelie voltar, guardem um espacinho no sofá pra mim, viu?

— Guardado e esperando, chérie — respondeu Adele.

Ela se afastou pela porta, sentindo que, pela primeira vez, partir não doía tanto quanto antes, era só o começo de outra viagem.

O carro deslizou pelas ruas molhadas de Paris, e a cidade parecia mais bonita vista de dentro, com a chuva escorrendo pelo vidro.

Dorian segurava sua mão, o polegar desenhando círculos lentos na pele dela.

— Você está pronta pra ver o Brasil de novo? — ele perguntou, sem desviar o olhar.

— Não sei. Da última vez quando saí de lá, eu tinha uma mala de tecido e um sonho. Agora tenho uma campanha milionária e um homem irritantemente perfeito.

Ele arqueou a sobrancelha.

— Irritantemente?

— É. É injusto alguém ter esse queixo e ainda saber como faturar milhões em uma única transação.

Dorian riu, e o som encheu o carro como uma música.

— Vai ser diferente dessa vez. Você não vai pra minha casa como funcionária. Vai como… — ele hesitou, observando ela com os olhos brilhando. — …a mulher que eu quero ao meu lado.

Francine mordeu o lábio, tentando disfarçar o arrepio.

— E se eu tropeçar no tapete persa e cair na frente dos seus empregados?

— Então eu tropeço junto.

Ela sorriu. Dessa vez, voltava pro Brasil sem fugir, voltava escolhendo ficar.

No aeroporto, o mundo parecia outro.

A sala VIP da Air France era tão elegante que Francine quase se sentiu uma fraude.

Segurava uma taça de champanhe como se fosse cristal de museu.

Um fogo breve, contido, como a turbulência antes do céu se acalmar.

Horas depois, o calor a atingiu antes mesmo de o avião parar completamente.

O ar brasileiro tinha cheiro de lembrança, maresia, café e caos.

Do lado de fora, flashes e câmeras os esperavam, curiosos pela volta do casal do escândalo.

Dorian pousou a mão nas costas dela, conduzindo-a com calma.

— Respira — murmurou perto do ouvido dela.

Francine assentiu, puxando o ar como quem tentava engolir a própria ansiedade.

O carro preto os esperava na pista, e o trajeto até a mansão foi silencioso.

Do outro lado da janela, ela via prédios, ruas conhecidas e, ainda assim, tudo parecia novo.

Quando o portão se abriu, a imensidão da casa a deixou sem fala.

A fachada branca, os jardins simétricos, o som de uma fonte ao fundo.

— Bem-vinda de volta — disse Dorian, abrindo a porta pra ela.

Francine deu um passo pra dentro e sentiu o chão frio sob os pés, o coração disparado.

Por um instante, imaginou o peso de tudo o que a esperava ali, o luxo, os olhares, as perguntas não ditas.

Mas respirou fundo e sorriu.

Se conseguiu sobreviver a Paris, podia sobreviver a qualquer mansão do mundo.

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