Pierre encostou-se no batente da porta com o ar teatral de sempre.
— Vai mesmo nos deixar, ma chère?
Francine ajeitou a alça da mala, sorrindo.
— Só por um tempo. Prometo que volto antes de vocês sentirem falta das minhas panquecas.
Adele cruzou os braços, fingindo indignação.
— Isso é impossível. Ninguém sente falta de panquecas quando se perde uma amiga.
O riso veio fácil, mas durou pouco.
Adele a envolveu num abraço apertado, quente, cheirando a lavanda e saudade antecipada.
— Merci por tudo, Adele. Por abrir a casa, o coração, e não me deixar enlouquecer.
— Você chegou aqui perdida e agora está indo brilhar. Não tem como não se orgulhar. Boa viagem.
Pierre piscou, tentando disfarçar os olhos marejados. Depois de meses com Francine sob sua tutela, ele já a considerava como uma filha.
— E se esse tal de Dorian te magoar, me liga. Tenho uma frigideira e não tenho medo de usá-la.
Francine gargalhou, enxugando as lágrimas.
— Eu prometo visitar sempre que estiver na França. E se Amelie voltar, guardem um espacinho no sofá pra mim, viu?
— Guardado e esperando, chérie — respondeu Adele.
Ela se afastou pela porta, sentindo que, pela primeira vez, partir não doía tanto quanto antes, era só o começo de outra viagem.
O carro deslizou pelas ruas molhadas de Paris, e a cidade parecia mais bonita vista de dentro, com a chuva escorrendo pelo vidro.
Dorian segurava sua mão, o polegar desenhando círculos lentos na pele dela.
— Você está pronta pra ver o Brasil de novo? — ele perguntou, sem desviar o olhar.
— Não sei. Da última vez quando saí de lá, eu tinha uma mala de tecido e um sonho. Agora tenho uma campanha milionária e um homem irritantemente perfeito.
Ele arqueou a sobrancelha.
— Irritantemente?
— É. É injusto alguém ter esse queixo e ainda saber como faturar milhões em uma única transação.
Dorian riu, e o som encheu o carro como uma música.
— Vai ser diferente dessa vez. Você não vai pra minha casa como funcionária. Vai como… — ele hesitou, observando ela com os olhos brilhando. — …a mulher que eu quero ao meu lado.
Francine mordeu o lábio, tentando disfarçar o arrepio.
— E se eu tropeçar no tapete persa e cair na frente dos seus empregados?
— Então eu tropeço junto.
Ela sorriu. Dessa vez, voltava pro Brasil sem fugir, voltava escolhendo ficar.
No aeroporto, o mundo parecia outro.
A sala VIP da Air France era tão elegante que Francine quase se sentiu uma fraude.
Segurava uma taça de champanhe como se fosse cristal de museu.

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