Francine observou aquela mansão tão familiar, e por um instante sentiu o coração bater mais rápido.
O retorno ao Brasil e à casa de Dorian parecia o início de outra vida.
Assim que Francine atravessou o hall, a primeira pessoa a aparecer foi Denise.
Ela caminhava com o mesmo porte firme de sempre, as mãos cruzadas à frente do avental impecável.
Quando enfim viu Francine, um sorriso discreto suavizou as linhas do rosto.
— Então é verdade mesmo — disse ela, abrindo os braços para um abraço contido, mas sincero. — A senhorita voltou.
Francine correspondeu ao abraço, sentindo o aconchego familiar daquele toque.
Havia ali algo que lembrava casa, mesmo que ela não soubesse ao certo onde era o seu lar.
— Desculpa pelo sumiço repentino, Denise — respondeu, a voz baixa, mas firme.
Denise recuou um passo, lançando um olhar direto a Dorian.
— E o senhor — ela começou, com um leve arquejo de repreensão — devia ter trazido essa moça de volta há muito tempo.
Ele ergueu as mãos num gesto de rendição.
— Você tem toda razão.
A governanta o analisou por um instante, o olhar avaliando não só as palavras, mas a expressão dele.
Depois, voltou-se a Francine, e sua voz ganhou uma doçura calma, quase maternal.
— Espero que agora consiga ver quem ele é, sem aquela armadura de empresário frio que adora vestir.
Francine sorriu de leve, trocando um olhar rápido com Dorian, que fingiu ignorar a provocação.
Denise, porém, apenas ajeitou o lenço no pescoço e concluiu:
— A casa ficou mais vazia sem você, menina. Mas trate de lembrar: aqui dentro, o trabalho é duro e mas o coração leve.
Antes que Francine respondesse, Dorian deu um passo à frente e, com o mesmo ar seguro de sempre, disse:
— Não se preocupe, Denise. Francine não voltou como empregada.
A mulher o encarou por um momento, e um sorriso genuíno e raro, mas cheio de significado, se desenhou em seus lábios.
— Nesse caso, meus parabéns, Dorian Villeneuve. — Ela inclinou levemente a cabeça, o tom grave, mas afetuoso. — Está me provando que realmente não é mais um menino.
Ela então fez um gesto discreto para um dos empregados que aguardavam próximos à entrada.
— Levem as malas para o quarto principal, por favor.
Enquanto os funcionários se apressavam, Dorian soltou um suspiro leve.
— Vou tomar um banho, preciso me livrar do fuso e da viagem.
O impacto quase as derrubou, e Francine tropeçou dois passos para trás, rindo entre o susto e o carinho.
— Ai, Malu! Quer me matar de saudade e de susto, é isso?
— Você não avisou que vinha! — Malu apertava o abraço, a voz embargada. — Eu tava morrendo de saudades, há dias você não liga e de repente aparece aqui! Quem quase morre sou eu!
Francine afastou-se só o bastante para encará-la, ainda sorrindo.
— Pois é, voltei. E pelo visto vou ter que começar a dar ordens aqui, essa cozinha está uma zona. — disse ela, fingindo indignação.
Malu deu um leve tapa no braço dela e disse, brincalhona:
— Ah, tá se achando, é? Bem que dizem que pobre não pode ganhar um dinheiro que já fica metido. Vai exigir um banquete, também?
— Eu mereço, oras — retrucou Francine, com o nariz empinado e o sorriso brincando nos lábios. — Depois de tudo que eu passei, quero um almoço que faça o mundo girar mais devagar.
Malu soltou uma gargalhada e a puxou para dentro, empurrando-a em direção à mesa.
— Então senta, madame, aqui o cardápio é simples, mas é um banquete de amor.
Francine se acomodou, observando a movimentação com um misto de saudade e paz.
A cozinha da mansão tinha cheiro de casa, de tempo bom.
E, enfim, ela sentiu que realmente estava de volta ao lugar onde deveria estar.

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