A cozinha estava tomada por luz e cheiro de tempero.
O vapor subia da panela, e Francine, de avental emprestado e cabelo preso num coque improvisado, já se sentia em casa outra vez.
Malu cortava legumes com destreza, o rádio tocava uma música animada, e por alguns minutos o tempo pareceu desacelerar.
— Olha só — disse Malu, cruzando os braços e encarando as mãos de Francine, que descascavam batatas com cuidado —, as mãos da madame ainda sabem como se trabalha.
Francine levantou o queixo, fingindo indignação.
— Claro que sabem! Tá achando que dinheiro cai do céu? Eu tive que ralar muito em Paris.
Malu arqueou as sobrancelhas, divertida.
— Do céu eu não sei, mas da conta do Dorian pra sua, eu sei que cai.
Francine riu alto, aquela risada gostosa que enchia o ambiente de vida.
— Menina, nem me lembre! Acho que posso ficar um ano sem trabalhar e ainda vou ter dinheiro sobrando. Esse homem não tem noção do que a gente passa!
— A gente não, né, você — Malu retrucou, mexendo o molho com a colher de pau. — Porque eu continuo aqui, com minha humilde conta bancária e meu feijão no fogão.
Francine largou a faca, pegou o celular com um sorrisinho travesso e abriu o aplicativo do banco.
— Não seja por isso, toma um pouco pra você. E não precisa me agradecer, viu?
Malu nem olhou, mas segundos depois o som da notificação fez o olhar dela subir rápido pro celular.
— Amiga, você é louca? — gritou, levando a mão ao peito. Mas bastou ver o valor da transferência pra quase jogar o celular na cara da outra. — Um real?! Sua ridícula!
Francine gargalhou, apoiando-se na bancada.
— Foi mal, esqueci de alguns zeros.
Outra notificação subiu na tela, e dessa vez os olhos de Malu se arregalaram de verdade.
— Eu não acredito… você realmente mandou! — murmurou, balançando a cabeça, sem saber se ria ou brigava.
Francine contornou a mesa e a abraçou por trás, apertando com carinho.
— Espero que agora tenha ido certo.
Malu suspirou, retribuindo o abraço.
— Você não muda, né? Continua a mesma maluquinha de sempre.
— E você continua a mesma chata — Francine respondeu, rindo.
— Ainda bem — disse Malu, num tom mais suave. — Porque se a fama e o dinheiro te mudassem, eu mesma ia aí em Paris te puxar pelos cabelos.
— E eu deixava — respondeu Francine, com um sorriso sincero. — Você sabe que é minha âncora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras