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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 208

O quarto ainda cheirava a banho quente e lençóis amassados.

Francine estava aninhada no peito de Dorian, o toque dos dedos dela percorrendo distraidamente o cabelo dele, como quem saboreia um momento raro de tranquilidade.

— Você já fez rinoplastia, não é? — perguntou, com o tom leve de quem provoca só para ver a reação.

Dorian abriu os olhos lentamente, arqueando uma sobrancelha, a expressão dividida entre preguiça e deboche.

— É tão difícil assim admitir que eu sou naturalmente bem feito?

Francine sorriu, rolando os olhos, pronta para retrucar mas o som do celular vibrando na mesa de cabeceira interrompeu o clima.

O aparelho continuou vibrando, insistente, até que Dorian se esticou para pegá-lo.

Assim que viu o nome na tela, o ar pareceu mudar. O sorriso sumiu.

— Deve ser a Denise avisando sobre o almoço — arriscou Francine, observando o olhar dele endurecer.

Mas ele não respondeu.

O toque continuava, e, por um instante, o som pareceu ecoar no silêncio do quarto.

Dorian apenas bloqueou a chamada, a mandíbula travada.

— Não vai atender? — insistiu ela, sentando-se devagar. — Pode ser importante. Posso sair pra te dar um pouco de privacidade, se preferir.

— Não tem necessidade — respondeu, seco, deixando o aparelho sobre o criado-mudo.

O celular vibrou de novo, agora com uma notificação.

Ele olhou para o visor, hesitou em pegar, mas a tensão em seu corpo denunciava o que se passava.

Francine observou em silêncio, os olhos atentos ao jeito como ele evitava olhar diretamente para a tela.

— Tudo bem? — ela perguntou, já se levantando. — Vou vestir alguma coisa.

Ele não respondeu de imediato.

Passou as mãos pelos olhos, os dedos pressionando as têmporas, como quem tenta conter um incômodo maior do que queria admitir.

Francine entendeu o recado sem precisar de palavras.

Caminhou até o armário e pegou uma camisa de Dorian, vestindo-a sem pressa.

Antes de sair, ainda se virou para ele.

— Eu vou lá na cozinha ver se a Malu precisa de ajuda. Se o almoço estiver pronto, eu volto pra te avisar.

Ele apenas assentiu, os cotovelos apoiados nos joelhos, o olhar fixo no chão.

Assim que a porta se fechou atrás dela, Dorian soltou o ar que vinha prendendo.

Pegou o celular novamente, os olhos fixando o visor onde a notificação ainda brilhava.

"Estamos a caminho. Chegaremos para o jantar. Temos muito o que conversar."

Dorian manteve os olhos fixos no visor do celular, a mensagem ainda acesa como uma ameaça silenciosa.

Dorian se virou, forçando um meio sorriso.

— Já vou — respondeu, e o tom baixo denunciou o esforço.

Francine o observou por alguns segundos.

Havia algo na postura dele, o olhar distante, os ombros tensos, o jeito contido de quem está tentando esconder o que sente.

Mas ela conhecia bem Dorian para saber que pressioná-lo só o faria se fechar ainda mais.

No caminho até a sala de jantar, ele tentou disfarçar o peso, falando sobre trivialidades: o clima, o fuso, até um elogio ao perfume dela.

Tudo soava mecânico.

Durante o almoço, Francine fazia pequenos comentários sobre a comida ou sobre a viagem, ponderando o que dizer, mas o foco dela estava em Dorian.

Ele cortava o bife com precisão quase cirúrgica, mas mal provava a comida.

A conversa se arrastou até que o silêncio falou mais alto.

Francine pousou o garfo, observou-o com atenção e, num gesto simples, pousou a mão sobre a dele.

Ele levantou os olhos, e por um instante a armadura dele pareceu trincar.

— Não sei o que está acontecendo — disse ela, num tom baixo e firme — mas, independente do que for, estou com você.

Dorian manteve o olhar fixo nela. E, finalmente, respirou de verdade.

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