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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 209

O restante do almoço transcorreu em silêncio.

Dorian permanecia com o olhar perdido no prato, o garfo imóvel entre os dedos, como se cada pensamento pesasse mais que a própria comida.

Francine observava de canto, tentando decifrar o que se passava por trás daquele semblante concentrado demais para um simples dia comum.

— Acho que nunca vi você comer tão devagar — ela comentou, tentando aliviar o clima.

Ele esboçou um sorriso curto, quase imperceptível, e respondeu apenas com um som vago.

Era o tipo de reação que ela já reconhecia: quando Dorian estava prestes a se fechar completamente.

Francine não insistiu.

Terminou o almoço em silêncio e, ao levantar-se, disse suavemente:

— Acho que vou deitar um pouco. A viagem me deixou meio cansada.

— Vou pro escritório resolver umas pendências — ele respondeu sem erguer o olhar.

Ela apenas assentiu e saiu, deixando-o sozinho com seus pensamentos.

A casa mergulhou num silêncio espesso.

Francine adormeceu rápido, exausta do trajeto e, talvez, da tensão que pairava no ar.

Quando acordou, o céu já tingia a janela de tons alaranjados. O relógio sobre a mesa marcava quase seis da tarde.

Ela se espreguiçou, olhou ao redor e notou a ausência de Dorian.

Nenhum sinal dele no quarto. Nenhum ruído vindo do andar de cima. Apenas o leve zumbido do ar-condicionado e o tic-tac do relógio.

Decidida, levantou-se e caminhou até o escritório.

A porta estava entreaberta.

Pela fresta, ela o viu sentado diante do computador, a luz da tela refletindo nas feições tensas.

Dorian tinha as mãos apoiadas na cabeça, os cotovelos sobre a mesa, como se tentasse segurar o peso de um mundo invisível.

— Posso entrar? — ela perguntou, batendo de leve na madeira.

— Pode — respondeu ele, sem se virar.

Francine entrou devagar, deu a volta na mesa e, sem dizer nada, sentou-se no colo dele.

Sentiu o corpo dele se enrijecer por um instante, mas não recuou.

Passou os dedos pelos cabelos dele, em um gesto tranquilo, até que ele suspirou, cansado demais para resistir.

— Quer me contar o que está acontecendo? — ela perguntou, a voz suave.

Demorou alguns segundos, até ele murmurar:

— Meus pais estão vindo pra jantar.

Francine piscou, confusa.

— E isso é tão ruim assim?

— É. — Ele levantou o olhar, fixando o dela. — Quando dizem que “temos muito o que conversar”, significa que vêm pra colocar alguém no lugar.

Lá fora, um carro preto estacionava na entrada.

A porta traseira se abriu, revelando uma mulher elegante, de expressão impassível, seguida por um homem de terno escuro e olhar calculado.

A respiração de Dorian ficou presa por um instante. Ele manteve o olhar fixo neles até o carro desligar.

Virou-se então para Francine, o maxilar rígido, e disse apenas:

— Chegaram.

Francine hesitou, observando o rosto dele endurecido diante da janela. O som distante do motor sendo desligado parecia ecoar dentro dela.

— Quer que eu espere aqui no escritório? — perguntou com cautela.

Dorian manteve-se em silêncio por um instante, os olhos ainda fixos no jardim. O maxilar contraído denunciava o turbilhão interno que ele tentava conter.

Ela quase repetiu a pergunta, mas então o toque da campainha cortou o ar, como um lembrete súbito de que o tempo havia acabado.

Ele piscou, como se despertasse de um transe. Respirou fundo, endireitou os ombros e estendeu a mão para ela.

— Vamos. — disse apenas.

Francine entrelaçou seus dedos aos dele, sentindo o toque firme, mas tenso. Enquanto caminhavam pelos corredores da mansão, Dorian não dizia uma palavra, e ela sentia a tensão crescendo a cada passo.

Quando chegaram ao hall de entrada, o empregado já abria a grande porta de madeira, curvando-se educadamente.

Dorian apertou de leve a mão de Francine, quase num pedido silencioso para que ela permanecesse calma.

Ela respondeu ao gesto com um leve toque no polegar, tentando transmitir o mesmo.

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