O restante do almoço transcorreu em silêncio.
Dorian permanecia com o olhar perdido no prato, o garfo imóvel entre os dedos, como se cada pensamento pesasse mais que a própria comida.
Francine observava de canto, tentando decifrar o que se passava por trás daquele semblante concentrado demais para um simples dia comum.
— Acho que nunca vi você comer tão devagar — ela comentou, tentando aliviar o clima.
Ele esboçou um sorriso curto, quase imperceptível, e respondeu apenas com um som vago.
Era o tipo de reação que ela já reconhecia: quando Dorian estava prestes a se fechar completamente.
Francine não insistiu.
Terminou o almoço em silêncio e, ao levantar-se, disse suavemente:
— Acho que vou deitar um pouco. A viagem me deixou meio cansada.
— Vou pro escritório resolver umas pendências — ele respondeu sem erguer o olhar.
Ela apenas assentiu e saiu, deixando-o sozinho com seus pensamentos.
A casa mergulhou num silêncio espesso.
Francine adormeceu rápido, exausta do trajeto e, talvez, da tensão que pairava no ar.
Quando acordou, o céu já tingia a janela de tons alaranjados. O relógio sobre a mesa marcava quase seis da tarde.
Ela se espreguiçou, olhou ao redor e notou a ausência de Dorian.
Nenhum sinal dele no quarto. Nenhum ruído vindo do andar de cima. Apenas o leve zumbido do ar-condicionado e o tic-tac do relógio.
Decidida, levantou-se e caminhou até o escritório.
A porta estava entreaberta.
Pela fresta, ela o viu sentado diante do computador, a luz da tela refletindo nas feições tensas.
Dorian tinha as mãos apoiadas na cabeça, os cotovelos sobre a mesa, como se tentasse segurar o peso de um mundo invisível.
— Posso entrar? — ela perguntou, batendo de leve na madeira.
— Pode — respondeu ele, sem se virar.
Francine entrou devagar, deu a volta na mesa e, sem dizer nada, sentou-se no colo dele.
Sentiu o corpo dele se enrijecer por um instante, mas não recuou.
Passou os dedos pelos cabelos dele, em um gesto tranquilo, até que ele suspirou, cansado demais para resistir.
— Quer me contar o que está acontecendo? — ela perguntou, a voz suave.
Demorou alguns segundos, até ele murmurar:
— Meus pais estão vindo pra jantar.
Francine piscou, confusa.
— E isso é tão ruim assim?
— É. — Ele levantou o olhar, fixando o dela. — Quando dizem que “temos muito o que conversar”, significa que vêm pra colocar alguém no lugar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras