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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 210

Os pais de Dorian atravessaram o limiar com a postura impecável de quem está acostumado a ser notado.

A mãe, envolta num casaco claro e lenço de seda, trazia o queixo erguido e o olhar analítico.

O pai, imponente, segurava uma pasta sob o braço como se tivesse vindo discutir negócios.

Mas, assim que os olhos dos dois se voltaram para o filho, a cena se partiu em dois mundos distintos.

Eles avançaram até Dorian com sorrisos ensaiados, abraçando-o rapidamente, trocando cumprimentos formais e ignorando por completo a mulher ao lado dele.

Francine sentiu o ar pesar, mas manteve o rosto sereno.

O silêncio entre ela e os pais de Dorian foi tão cortante quanto elegante.

Logo após o abraço frio, a mãe de Dorian se volta para Francine com um sorriso que ninguém esperava.

— E esta deve ser a famosa Francine, certo? — a voz dela soa suave, quase melodiosa. — Finalmente nos conhecemos.

Francine pisca, confusa. Por um instante, chega a achar que ouviu errado.

— É um prazer conhecê-los — responde, educadamente, estendendo a mão.

A mulher a segura com firmeza e delicadeza na medida certa, o tipo de toque treinado para conquistar.

— O prazer é todo nosso, querida. — ela volta-se para o marido. — Veja só, não é linda?

O pai de Dorian concorda com um aceno discreto, exibindo um sorriso controlado.

— Ela é muito mais bonita pessoalmente. — diz, e em seguida pousa a pasta sobre a mesa do hall, como se estivesse se desfazendo de um peso simbólico.

Francine se virou para Dorian, que permanecia sério, o olhar fixo na mãe, e havia algo de duro em seu semblante, um desconforto silencioso que ela ainda não entendia.

— Vocês devem estar exaustos da viagem — diz ela, tentando quebrar o clima. — Posso pedir pra servirem algo antes do jantar?

— Oh, não, querida. — responde a mãe, já adentrando a sala com passos leves. — Só queremos conversar, colocar as coisas em dia. — e, voltando-se para o filho: — Afinal, faz tanto tempo que não nos vemos, não é, Dorian?

O tom é doce, mas Francine sente um leve arrepio.

Havia algo naquele “colocar as coisas em dia” que soava menos como carinho e mais como um prenúncio.

Ela tentou se convencer de que talvez Dorian estivesse apenas sendo duro demais.

Os pais dele, afinal, pareciam gentis, até simpáticos.

Era o tipo de gentileza que vinha embalada em seda, mas cortava como vidro.

— Eu… só quis ser educada — respondeu, forçando um sorriso que não chegava aos olhos.

— Claro que sim, imagino que seja o hábito. — Eleonor ajeitou o lenço no pescoço, o olhar fixo nela. — Fiquei sabendo que você era empregada do Dorian, certo?

O tom não era acusatório, era curioso, doce até. E talvez por isso, ainda mais desconcertante.

Francine manteve a postura.

— Sim. Trabalhei aqui por um tempo.

— Que interessante — respondeu Eleonor, inclinando-se um pouco para a frente. — Confesso que me surpreende. Dorian sempre foi… como posso dizer… reservado em suas relações. Costuma se aproximar apenas de pessoas do mesmo nível que ele. — ela riu baixinho. — Mas suponho que o amor tenha dessas coisas, não é mesmo?

Francine respirou fundo, procurando uma resposta que não soasse nem agressiva nem submissa.

— Acho que, às vezes, o amor gosta de contrariar as estatísticas.

Eleonor ergueu o olhar para ela, avaliando cada sílaba.

Por um instante, o sorriso vacilou, pequeno, mas suficiente para Francine perceber que tinha acertado o ponto.

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