O silêncio que se seguiu foi denso, mas Eleonor parecia não perceber. Ela apenas cruzou as pernas com elegância e completou:
— Deve ter sido um desafio encantador para você, conquistar alguém como o meu filho.
Francine respirou fundo, mantendo o controle.
— Na verdade, não houve conquista. Foi natural.
— Natural. — repetiu Eleonor, como se experimentasse o sabor da palavra. — Que bonito. — Os lábios dela se curvaram num sorriso tão perfeito que beirava a falsidade. — Dorian sempre teve um coração sensível, embora esconda bem. Imagino que tenha se sentido… tocado pela sua história.
— Talvez. — respondeu Francine, sem desviar o olhar. — Mas acredito que ele tenha se apaixonado por mim pelo mesmo motivo que eu me apaixonei por ele: porque somos iguais no que realmente importa.
Dessa vez, o sorriso de Eleonor vacilou só por um instante, mas Francine percebeu.
O silêncio na sala pesava, quebrado apenas pelo tique-taque ritmado do relógio antigo na parede.
Um empregado trouxe uma bandeja com chá e biscoitos, servindo as duas.
Eleonor se recostou levemente no sofá, o olhar pousado em Francine com a serenidade estudada de quem sabe exatamente para onde quer conduzir a conversa.
— E me diga, Francine, — começou ela, com a voz suave, como quem pergunta por puro interesse social — seus pais são daqui? Imagino que sim. Ou talvez de alguma outra cidade charmosa do interior?
Francine se ajeitou no sofá, tentando manter o mesmo tom educado.
— Não exatamente. Eu nasci aqui, mas… não mantenho muito contato com eles há algum tempo.
Eleonor levantou as sobrancelhas, um gesto leve, quase imperceptível.
— Oh, entendo. — Ela pegou a xícara e colocou sobre o pires com cuidado milimétrico. — Famílias podem ser complicadas. Nesse ponto, você e Dorian se parecem bastante. Ele também não tem muito contato com os pais.
O sorriso que acompanhou a frase era tão polido que doía.
Francine soltou um riso breve, um tanto sem graça.
— Então acho que temos mais em comum do que imaginávamos.
— Sim… — disse Eleonor, alongando a sílaba, como quem saboreia o momento. — Embora, é claro, os motivos sejam diferentes.
Francine franziu levemente o cenho, mas antes que pudesse perguntar o que ela queria dizer, Eleonor prosseguiu:
— Aliás, preciso agradecer a você, minha querida.
— Agradecer? — Francine arqueou as sobrancelhas, surpresa.
— Sim. — O olhar de Eleonor se fixou nela, firme, embora o sorriso permanecesse. — Tenho certeza de que, se não fosse por você, Dorian jamais teria nos recebido aqui.
O elogio parecia gentil, mas o subtexto era ácido.

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