O escritório cheirava a madeira encerada e a uísque caro.
O sol atravessava as cortinas pesadas, riscando o chão com faixas douradas que pareciam dividir o espaço em territórios invisíveis e Oscar Villeneuve, como sempre, já havia escolhido o seu.
Quando Dorian entrou, o pai estava de costas, girando o copo entre os dedos, o líquido âmbar reluzindo nos detalhes do cristal.
Serviu-se sem pedir permissão, sem sequer olhar para o dono do escritório.
Um gesto simples, mas que dizia tudo: a autoridade não se pede, se impõe.
— Que história é essa, Dorian? — a voz de Oscar soou calma, mas cortante. — De namorar uma ninguém? E pior: de tornar isso público? O nome Villeneuve estampado em manchetes de fofoca, como se fôssemos uma piada de salão?
Dorian parou diante da mesa, mãos nos bolsos, olhar frio.
— Desde quando se declarar a alguém é um escândalo, pai?
Oscar soltou uma risada breve e sem humor.
— Desde que esse “alguém” não pertence ao nosso mundo. Você sabe muito bem que estou negociando uma união com a família Deveraux. Uma fusão que pode elevar a Villeneuve Corp a um nível global. E então, justo agora, você decide se exibir com... ela.
— Impressionante — Dorian retrucou, encostando-se na borda da mesa. — Como sempre, sou o último a saber das decisões que dizem respeito à minha própria vida.
— Não diga isso como se fosse uma vítima, meu filho. — Oscar virou-se, apoiando o copo sobre o móvel. — Tudo o que faço é pensando no seu bem. Você devia entender isso como um privilégio, não como invasão.
Dorian ergueu o olhar, firme.
— Eu nunca pedi ajuda.
— Não é sobre pedir. — Oscar deu um passo à frente, a voz tão calma que parecia estudada. — É sobre saber o que é melhor para o futuro. Você é o rosto da empresa, e eu sou o investidor principal. É natural que eu queira garantir estabilidade. E isso começa com escolhas certas: pessoais e profissionais.
— Estabilidade ou controle? — Dorian arqueou uma sobrancelha. — Porque pra mim parece a mesma coisa.
Oscar inclinou a cabeça, medindo o filho com os olhos.
— Controle é o que impede o caos. Você devia agradecer por ter um pai que entende de negócios, Dorian. A maioria dos herdeiros perde tudo antes dos trinta.
— Dinheiro nenhum compra amor, pai. — Dorian se afastou, indo até o bar. Serviu-se do próprio uísque, o gesto proposital, quase provocação. — E vocês dois são a prova viva disso.
Um silêncio pesado se instalou.
O tique-taque do relógio de parede parecia o único som do cômodo.
Oscar manteve-se imóvel por alguns segundos antes de sorrir de lado.

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