A mesa do jantar parecia uma cena de revista, cada prato alinhado milimetricamente, as taças reluzindo sob a luz quente do lustre, e um aroma sofisticado escapando das travessas que o empregado havia acabado de dispor.
Francine entrou pela porta alguns minutos depois, e até o som de seus passos pareceu chamar atenção.
Vestia um conjunto marfim simples, mas elegante, o tecido leve contornando seu corpo com discrição.
O cabelo preso em um coque baixo, os brincos discretos, era o equilíbrio perfeito entre delicadeza e firmeza.
Dorian se levantou quando ela apareceu, o que fez Eleonor erguer as sobrancelhas, impressionada com o gesto.
— Que surpresa agradável — disse a mulher, com um sorriso de porcelana. — Você está linda, Francine. E bem mais... apropriada, desta vez.
Francine sorriu de volta, devolvendo o olhar com serenidade.
— Que bom que acha. Nós não esperávamos visitas — respondeu, enquanto se sentava. — Fui pega desprevenida.
O sorriso de Eleonor vacilou, mas logo voltou ao lugar.
— Ah, sim, imagino. Foi uma decisão espontânea. Quando soubemos que Dorian estava de volta, e com uma namorada, não resistimos.
Ela pousou a mão sobre a taça.
— Famílias devem estar próximas, afinal.
— Nem sempre é o que acontece, né? — Francine comentou, como quem fala sozinha, mas deixando o veneno escorrer na medida certa.
O olhar de Dorian cruzou o dela por um segundo, um pedido silencioso pra que ela não alimentasse o fogo.
Mas Francine apenas pegou o guardanapo e pousou no colo, com uma calma ensaiada que o fez conter um sorriso.
Oscar, que observava tudo com a frieza de quem assiste a uma partida de xadrez, pigarreou e disse:
— Vamos comer. Ficaríamos muito tempo em pé se esperássemos a conversa de vocês terminar.
Um empregado serviu o vinho, e o som do líquido caindo nas taças quebrou o silêncio cortante.
Durante alguns minutos, o jantar pareceu tranquilo, civilizado, até demais.
Mas o clima era o mesmo de uma calmaria que antecede a tempestade.
Eleonor inclinou levemente a cabeça para o lado.
— Dorian não nos falou sobre você, Francine. — O tom era meloso, mas o olhar, inquisidor. — Imagino que você tenha um bom motivo pra mantê-lo tão... distraído dos negócios ultimamente.
— Ele trabalha muito, sim — respondeu Francine, sem hesitar. — Mas acho que todo mundo merece um tempo pra respirar.
— Claro, claro. — Eleonor assentiu, mas o sorriso permaneceu afiado. — Desde que respirar não se torne sinônimo de descuido.
Dorian pousou o talher, firme.
— Mãe, tenho certeza de que minha capacidade de administrar a empresa não está em pauta no jantar.
— Só estou observando, querido. — Ela sorriu, voltando a olhar pra Francine. — É que o amor, às vezes, tem o inconveniente de bagunçar prioridades.

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