Eleonor abriu um sorriso educado, como se a reação dela fosse... previsível.
— Minha querida, você está interpretando tudo da forma errada. Ninguém está propondo nada aqui. Só estamos discutindo possibilidades — disse, em tom brando, quase maternal. — E, convenhamos, Dorian sempre foi prático.
— Prático? — Francine repetiu, com um riso descrente. — Vocês estão falando de vender o filho de vocês.
Oscar a olhou pela primeira vez naquela noite.
— Jovem, você está sendo dramática. Isso é sobre legado, não sobre romance. — O olhar dele voltou a Dorian. — A Villeneuve Corp sempre foi mais do que uma empresa. É o nome da nossa família. O que você construiu deve ser preservado, e há maneiras inteligentes de garantir isso.
Francine se inclinou levemente para frente.
— E eu suponho que, para garantir isso, o amor seja o primeiro a ser descartado da equação?
Eleonor soltou uma risada delicada, um som quase musical, mas que cortou o ar como vidro.
— Querida, amor é lindo — disse, com doçura falsa. — Mas não dura mais do que um par de estações. E você precisa entender que Dorian... ele nunca foi de se prender.
— Mãe... — Dorian advertiu, baixo, mas firme.
Ela levantou as mãos, teatral.
— Só estou dizendo o óbvio, meu amor. Francine merece saber. — Voltou-se novamente para a jovem. — Ele nunca se manteve em um relacionamento por mais de um mês. E isso é um fato, não uma crítica.
Francine engoliu seco.
O pior não era o tom das palavras, mas o modo como Eleonor as dizia, com um sorriso sereno, um brilho nos olhos que misturava pena e superioridade.
— Então vocês já estavam preparando o próximo passo — disse Francine, encarando-a diretamente. — Planejando o futuro dele... e apagando o meu.
Eleonor pareceu surpresa, mas não perdeu o controle.
— Ninguém quer apagar você, Francine. Mas é importante entender o seu lugar nessa história. — Ela inclinou levemente a cabeça, a voz doce, quase compassiva. — Talvez você devesse calçar os sapatos da humildade e olhar pra si mesma.
A frase foi dita com tanta suavidade que o impacto veio alguns segundos depois.
Francine manteve o queixo erguido, o coração disparando, mas o olhar firme.
Dorian soltou o talher de repente, o som metálico ecoando pela mesa.
— Já chega. — A voz dele saiu fria, controlada, mas carregada de tensão. — Esse jantar já foi longe demais.
Oscar se recostou lentamente, ajeitando o paletó.
— Está vendo, Eleonor? — disse ele, com calma. — É exatamente isso que eu quero evitar. A impulsividade, o sentimentalismo. O amor nunca foi bom conselheiro para os negócios.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras