Dorian subiu as escadas dois degraus por vez, o coração ainda acelerado.
Abriu a porta do quarto. Vazio.
Por um instante, o pânico lhe atravessou o peito. E se ela tivesse ido embora?
Mas a bolsa dela ainda estava ali, largada sobre a poltrona.
Ele soltou o ar, aliviado, e então ouviu o som distante da água sendo agitada.
Saiu rapidamente do quarto e seguiu até o terraço.
Francine estava sentada na beira da piscina, com a calça puxada até os joelhos e os pés mergulhados.
A luz azulada da água subia e desenhava reflexos suaves pelo rosto dela, uma pintura viva entre a melancolia e o sossego.
Por um momento, Dorian apenas ficou parado, observando.
Era impossível não pensar no contraste: ela ali, tão calma e vulnerável, e ele, com o peito pesado por tudo o que acabara de acontecer.
Era uma das cenas mais bonitas que ele já tinha visto, e ainda assim, doía.
Sem dizer uma palavra, ele começou a desabotoar a camisa.
Largou o celular sobre uma das espreguiçadeiras, tirou os sapatos e, num gesto impulsivo, mergulhou de uma vez.
O impacto da água espalhou uma pequena onda que atingiu Francine, arrancando dela um resmungo indignado.
— Dorian! — ela exclamou, levantando as mãos para se proteger dos respingos.
Quando ele emergiu, o cabelo molhado caindo sobre os olhos, exibia aquele sorriso torto e provocador que desarmava qualquer tentativa de raiva.
— Desculpa — disse, ofegante, nadando até ela. — Juro que não foi de propósito.
Ele se aproximou da borda, apoiando os braços e a cabeça nas pernas dela, ainda molhado.
O tom da voz mudou, mais baixo, sincero:
— Desculpa.
— Você já pediu desculpas — ela retrucou, passando a mão pelos braços molhados.
— Pelo jantar. — Dorian continuou. — Por eles.
Francine olhou pra ele por um instante, e o silêncio que se instalou era quase confortável.
— Você não tem culpa pelos seus pais — disse por fim, passando os dedos de leve pelo cabelo dele. — Agora eu entendo por que nunca falou sobre eles.
Dorian fechou os olhos por um segundo, como quem absorve o toque e a verdade ao mesmo tempo.
— Eles não mudam, Francine. — a voz de Dorian saiu baixa, quase um desabafo. — É sempre sobre aparência, sobre negócios, sobre manter o nome no topo. Eu nunca fui um filho, só uma extensão da empresa.
Ela o ouviu em silêncio, passando devagar a ponta dos dedos pelos cabelos molhados dele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras