O quarto estava silencioso quando Francine abriu os olhos.
A cama ao lado estava vazia e o perfume de Dorian já havia desaparecido, restando apenas o amasso no lençol como lembrança da noite anterior.
Ela se espreguiçou devagar, tentando afastar o sono.
Sabia que descer desarrumada era dar mais munição à mãe dele, então escolheu com cuidado uma roupa que equilibrasse conforto e elegância: uma calça de tecido leve, blusa em tom neutro e um rabo de cavalo simples, mas firme.
O suficiente para se sentir segura.
Enquanto se olhava no espelho, ouviu vozes vindas do andar de baixo.
Reconheceu o timbre contido de Dorian e a voz firme de Oscar trocando palavras rápidas, provavelmente sobre negócios.
Ela se apressou, mas quando chegou à escada, só ouviu o som da porta se fechando e o motor do carro partindo.
Um suspiro escapou.
O dia mal começara, e ela já se sentia em desvantagem.
Ao descer, encontrou Eleonor confortavelmente instalada no sofá da sala de estar, lendo um livro de capa rígida, o corpo ereto e a expressão serena, o retrato da superioridade disfarçada de polidez.
— Ah, Francine. Bom dia, querida. Dormiu bem? — perguntou, sem tirar completamente os olhos da página.
— Dormi, sim. — respondeu com um sorriso contido.
Eleonor fechou o livro com delicadeza.
— O café já foi recolhido. Não quisemos incomodar o seu descanso, sabe? Mas pode se servir na cozinha. Afinal, você já deve estar acostumada a se virar por lá.
A voz era suave, mas cada palavra vinha embebida em veneno.
Francine arqueou uma sobrancelha, respirou fundo e retribuiu na mesma moeda.
— Que gentileza a sua, Eleonor. Mas não precisa se preocupar. Estou em casa, afinal.
A frase soou como um golpe bem dado, e o silêncio que se seguiu foi delicioso.
Eleonor sustentou o sorriso, mas o olhar denunciava o incômodo.
Francine se virou e seguiu para a cozinha, onde Malu arrumava algumas louças.
— Bom dia, Malu. — disse, servindo-se de café. — A piloto de vassoura já deu as caras cedo, né?
Malu riu baixinho.
— Já esteve aqui há quase uma hora. Mandou trocar as flores, mudar a toalha da mesa e até o tipo de arroz do almoço.
Francine levou a xícara aos lábios, bufando.
— Se o jantar foi indigesto, não quero nem imaginar o almoço.
Malu balançou a cabeça, solidária.
— Fica tranquila, menina. Essa mulher pode mandar no cardápio, mas não manda no tempero.
— Ainda bem — respondeu Francine, sorrindo de leve. — Senão até o sal teria gosto de julgamento.
As duas riram, mas o riso logo se dissipou com o som distante dos passos de Eleonor se aproximando.
A mulher apareceu na porta da cozinha como quem inspeciona um cenário.
— Ah, você está aqui. Pedi à Denise que preparassem algo leve pro almoço. Dorian e Oscar voltam ao meio-dia, e teremos visitas especiais. — disse Eleonor, mexendo em algumas flores sobre a bancada.

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