Por alguns segundos, Francine acreditou ter ouvido errado.
Os ecos da palavra sogros ainda vibravam dentro da cabeça, mas o corpo reagiu antes que a mente conseguisse processar: o estômago embrulhou, e o café da manhã que ela havia forçado a descer ameaçou voltar.
Ela piscou, tentando organizar os pensamentos.
Seus pais. Ali. Na mesma casa em que ela estava. Com Eleonor sorrindo como se tivesse acabado de promover a união do século.
Dorian pareceu levar alguns segundos para assimilar também.
O olhar dele viajou de Eleonor para Francine e de volta, como se procurasse alguma explicação racional para aquilo.
Mas Eleonor apenas ajeitou a postura, satisfeita com o silêncio que pairava, e foi até a porta com passos tranquilos, o som dos saltos ecoando pelo mármore.
Francine sentiu o coração bater no pescoço quando ouviu o clique da maçaneta.
E então, as vozes.
Inconfundíveis. Familiares o suficiente para fazerem o sangue gelar.
— É um prazer recebê-los! — disse Eleonor, em tom amável. — Entrem, por favor.
Francine mal respirava.
Cada palavra dita do outro lado parecia raspar dentro dela, reabrindo feridas antigas que ela com muita dificuldade conseguiu cobrir.
E quando os passos se aproximaram, ela sentiu o chão abrir debaixo dos seus pés.
Os Villeneuve estavam postados ao lado da escada, e Francine, imóvel, parecia prestes a desabar.
Quando seus pais finalmente cruzaram o limiar, o tempo pareceu se esticar.
— Francine! — a mãe dela exclamou, abrindo os braços antes mesmo de chegar perto. — Olha só pra você, minha filha...
Ela tentou sorrir, tentou dizer alguma coisa, mas o corpo não reagiu.
O pai veio logo atrás, sorrindo como se nada tivesse acontecido nos últimos anos, como se a distância fosse apenas um detalhe geográfico e não o abismo que os separava.
— Que saudade, querida. — ele disse, e antes que ela pudesse recuar, os dois a envolveram em um abraço forçado.
O perfume doce da mãe e o cheiro familiar do pós barba do pai a enjoaram.
Ela ficou ali, rígida, permitindo o contato apenas porque qualquer reação diferente seria um escândalo.
— Ficamos tão felizes quando Eleonor entrou em contato — disse a mãe, ainda sorrindo. — Foi uma surpresa maravilhosa!
Francine piscou devagar, processando cada palavra com incredulidade.
"Eleonor? Claro que foi ela."
— Mas confesso, — continuou o pai, com aquele tom falso que ela sempre detestou — teríamos ficado ainda mais felizes se o convite tivesse vindo de você.
O riso que escapou de Francine foi curto e sem humor.
— Vocês sabem que isso nunca iria acontecer.
A resposta pairou no ar como uma rajada fria.

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