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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 218

Por alguns segundos, Francine acreditou ter ouvido errado.

Os ecos da palavra sogros ainda vibravam dentro da cabeça, mas o corpo reagiu antes que a mente conseguisse processar: o estômago embrulhou, e o café da manhã que ela havia forçado a descer ameaçou voltar.

Ela piscou, tentando organizar os pensamentos.

Seus pais. Ali. Na mesma casa em que ela estava. Com Eleonor sorrindo como se tivesse acabado de promover a união do século.

Dorian pareceu levar alguns segundos para assimilar também.

O olhar dele viajou de Eleonor para Francine e de volta, como se procurasse alguma explicação racional para aquilo.

Mas Eleonor apenas ajeitou a postura, satisfeita com o silêncio que pairava, e foi até a porta com passos tranquilos, o som dos saltos ecoando pelo mármore.

Francine sentiu o coração bater no pescoço quando ouviu o clique da maçaneta.

E então, as vozes.

Inconfundíveis. Familiares o suficiente para fazerem o sangue gelar.

— É um prazer recebê-los! — disse Eleonor, em tom amável. — Entrem, por favor.

Francine mal respirava.

Cada palavra dita do outro lado parecia raspar dentro dela, reabrindo feridas antigas que ela com muita dificuldade conseguiu cobrir.

E quando os passos se aproximaram, ela sentiu o chão abrir debaixo dos seus pés.

Os Villeneuve estavam postados ao lado da escada, e Francine, imóvel, parecia prestes a desabar.

Quando seus pais finalmente cruzaram o limiar, o tempo pareceu se esticar.

— Francine! — a mãe dela exclamou, abrindo os braços antes mesmo de chegar perto. — Olha só pra você, minha filha...

Ela tentou sorrir, tentou dizer alguma coisa, mas o corpo não reagiu.

O pai veio logo atrás, sorrindo como se nada tivesse acontecido nos últimos anos, como se a distância fosse apenas um detalhe geográfico e não o abismo que os separava.

— Que saudade, querida. — ele disse, e antes que ela pudesse recuar, os dois a envolveram em um abraço forçado.

O perfume doce da mãe e o cheiro familiar do pós barba do pai a enjoaram.

Ela ficou ali, rígida, permitindo o contato apenas porque qualquer reação diferente seria um escândalo.

— Ficamos tão felizes quando Eleonor entrou em contato — disse a mãe, ainda sorrindo. — Foi uma surpresa maravilhosa!

Francine piscou devagar, processando cada palavra com incredulidade.

"Eleonor? Claro que foi ela."

— Mas confesso, — continuou o pai, com aquele tom falso que ela sempre detestou — teríamos ficado ainda mais felizes se o convite tivesse vindo de você.

O riso que escapou de Francine foi curto e sem humor.

— Vocês sabem que isso nunca iria acontecer.

A resposta pairou no ar como uma rajada fria.

Levantou o rosto devagar e quando o olhou nos olhos, as lágrimas já escorriam silenciosas.

Não eram lágrimas de raiva, eram de exaustão, daquelas que vêm quando o passado invade o presente sem pedir permissão.

Dorian ergueu a mão e passou o polegar sob os olhos dela, enxugando com cuidado, sem desviar o olhar.

— Vamos enfrentar isso juntos.

Ela fechou os olhos por um segundo, respirou fundo e assentiu.

Não porque acreditava que tudo ficaria bem, mas porque naquele momento precisava acreditar em alguma coisa.

Ele segurou a mão dela e a guiou até a sala de jantar.

A cada passo, Francine sentia o peso da situação crescer.

Eleonor conversava animadamente com seus pais, orgulhosa do “encontro de famílias”.

O Sr. Villeneuve abria uma garrafa de vinho como se estivessem celebrando algo grandioso.

Para qualquer pessoa alheia ao momento, aquele almoço era apenas um gesto de boa vontade.

Mas para Francine, era o início de um cerco.

E conforme ela se sentava à mesa, diante dos rostos que um dia chamara de família, entendeu que o inferno não começava com gritos.

Ali começava com sorrisos.

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