O dia amanheceu tranquilo na mansão Villeneuve.
Denise, a governanta, começou a circular pelos corredores com sua elegância firme de sempre, mesmo após o desgaste do dia anterior.
Deu instruções à equipe, conferiu a arrumação da casa e, por fim, seguiu para seu escritório.
— Filipe, ligue meu computador e a impressora, por favor.
— O Sr. Dorian te pediu a lista de funcionários? — Filipe sussurrou como se contasse um segredo.
— Sim. Ele esteve aqui mais cedo?
— Ontem pela manhã. Assim que você saiu para o hospital. O homem parecia um leão pronto pra me engolir.
— Típico dele — respondeu, sem surpresa. — Mas enfim, tenho que preparar essa lista antes que ele apareça por aqui de novo.
Sentou-se à frente do computador e abriu a planilha. Os nomes estavam ali, um a um, devidamente organizados.
Até que ela parou, os olhos fixos sobre a linha que continha: “Francine Morais”.
Ficou em silêncio por alguns segundos. O cursor piscava. Seu dedo pairava sobre a tecla de delete.
Abriu uma segunda aba, copiou a planilha e então, na cópia, apagou o nome de Francine.
Salvou o arquivo, imprimiu a versão incompleta e dobrou com o cuidado de quem esconde um segredo dentro de um envelope pardo.
Enquanto fechava o envelope, respirou fundo, hesitante por um segundo.
— Espero mesmo que você saiba o que está fazendo, Francine — murmurou para si mesma. — Eu adoraria entregar a versão completa e ver a cara dele.
Foi nesse momento que Filipe voltou com um bloco de anotações.
— Quer que eu leve a lista pro Sr. Dorian?
— Não. Essa entrega sou eu quem faz. Dorian vai querer olhar nos meus olhos quando receber isso.
— E você vai conseguir sustentar o olhar dele?
Ela riu de leve, um riso que tinha afeto, história e um toque de ironia.
— Sustento o olhar daquele menino desde que ele fugia do banho. Isso aqui não vai me derrubar.



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