— Eu vi esse menino crescer. — disse com um meio sorriso. — Vi a mãe dele o tratar como adereço de vitrine e o pai como se fosse peso de ouro. Ele aprendeu a esconder o que sente porque, na casa onde cresceu, mostrar emoção era um convite para ser usado.
Francine murchou um pouco.
— Eu só... não sei lidar com isso. Ele me deixa nervosa. É como se estivesse sempre três passos à frente.
— Ele é assim mesmo — Denise completou. — Mas você é a única mulher que eu vi virar o jogo com ele. Desde sempre.
— Então vai me ajudar?
Denise respirou fundo e levantou.
— Vou pensar.
— Denise…
Ela parou na porta, virou-se e piscou:
— Mas por enquanto, é melhor você começar a pensar o que vai fazer quando ele descobrir sozinha. Porque, minha filha... esse homem não vai desistir.
Denise saiu do quarto de Francine ainda com um sorriso no rosto — daqueles que apenas as boas armações podiam provocar.
Passou pelo corredor principal com passos calmos, atravessando o salão a caminho do escritório, quando a porta da frente se escancarou com um estrondo.
Dorian entrou como um furacão de gravata afrouxada, os olhos fixos nela como se tivesse acabado de encontrar a chave de um cofre.
— Preciso que você me forneça uma lista de funcionários da mansão. Completa. Sem erros. A mais atualizada possível.
Denise parou no meio do caminho, ergueu uma sobrancelha e apoiou as mãos nos quadris.
— Boa tarde pra você também, Dorian. Me recordo de ter te ensinado bons modos.
Ele respirou fundo, coçando a nuca com um pouco de constrangimento.
— É que... é muito importante.
— Sempre é.
A resposta veio afiada, mas sem amargura.
Ele finalmente notou as olheiras sob os olhos da governanta, os ombros levemente curvados e o cansaço que ela tentava esconder por trás da compostura de ferro.
— Sinto muito. Esqueci de perguntar... o Sr. Luiz está melhor?
Denise suavizou o semblante com um aceno discreto.

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