Francine permaneceu imóvel, sentindo o rosto queimar.
As palavras de Oscar tinham atravessado o ar como lâminas.
Por um segundo, ela pensou em se levantar e ir embora.
Mas então viu Dorian empurrar a cadeira para trás, devagar, o olhar escuro fixo no pai.
O silêncio se tornou absoluto, o tipo de silêncio que antecede uma tempestade.
Dorian largou o talher com um estrondo que fez todos se sobressaltarem.
— Já chega. — A voz dele não era alta, mas havia nela uma firmeza que fez até o relógio na parede parecer hesitar.
Eleonor congelou no lugar. Oscar ergueu o queixo, confuso.
— Dorian… — começou Eleonor, com um sorriso nervoso.
— Eu disse chega. — Ele levantou-se devagar, os olhos percorrendo a mesa. — Eu não acredito que vocês trouxeram os pais dela aqui pra isso.
— Nós só queremos o melhor pra você, filho — disse Oscar, ajeitando o guardanapo no colo. — Está se envolvendo demais, e isso pode ser prejudicial.
— Prejudicial pra quem? Pra imagem da empresa? — ele rebateu. — Ou pro ego de vocês?
O silêncio foi absoluto.
Francine olhava para ele, atônita, o coração disparado, sem saber se o impedia ou se apenas o deixava seguir.
— Vocês não tem noção do que estão fazendo. — Dorian passou a mão pelos cabelos castanhos, respirando fundo.
Os olhos cinzentos dele, normalmente frios e calculistas, agora ardiam com uma fúria contida, quase trêmula.
Ele se endireitou, afastando a cadeira num movimento brusco.
— A Villeneuve Corp é a minha empresa, essa é a minha casa e Francine é a minha vida. — A voz dele saiu firme, e a cada palavra parecia cravar um estilhaço no silêncio. — Nada disso tem a ver com vocês. Peçam desculpas à Francine… ou deem o fora daqui.
Oscar bufou, passando a mão pela barba grisalha, o rosto avermelhado pela indignação.
— Você só pode estar brincando. Está mesmo se desfazendo da sua família por causa de uma empregada?
Dorian não piscou. Apenas apontou para a porta.
— Pelo visto, vocês fizeram sua escolha. Agora saiam… antes que eu chame os seguranças.
O silêncio foi interrompido apenas pelo som de talheres sendo colocados de volta nos pratos.
Os pais de Francine observavam a cena como quem assistia a um espetáculo caro, saboreando cada segundo.
Eleonor se levantou, o orgulho ferido latejando nos olhos.
— Dorian Villeneuve, você está nos expulsando da sua própria casa?
Ele cruzou os braços, imóvel.
— Não. — A resposta foi seca. — Estou devolvendo a vocês o que trouxeram pra dentro dela: constrangimento. Aproveitem e levem seus convidados com vocês.
A mãe de Francine, ainda sentada, completou calmamente a taça de vinho do marido, o sorriso no canto da boca.
— Nós não fizemos nada — disse, com falsa inocência.

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