O celular de Francine vibrou sobre a mesa de cabeceira, arrancando-a de um sono raso.
Ainda de olhos semicerrados, atendeu no automático.
— Acorda, dorminhoca. Tô indo pra sua casa agora! — avisou Malu, com aquela energia típica de quem já tinha tomado café e espalhado confete no caminho.
Francine piscou algumas vezes, tentando entender o que estava acontecendo.
— Pra cá? Como assim pra cá?
— Ué, você não me chamou para ir? Até me mandou o endereço novo, tenho certeza que não foi pra enfeitar mensagem. Prepara o café que eu chego daqui a pouco.
Ela resmungou, mas acabou rindo.
— Tá, tá... vou preparar.
Alguns minutos mais tarde, o som do interfone ecoou.
Francine abriu a porta ainda de pijama, e Malu entrou como um furacão, mas parou no meio da sala, boquiaberta.
— Que isso, mulher? — exclamou, olhando ao redor. — Você se mudou pro Jardim do Éden e não me avisou?
O apartamento estava tomado por arranjos de flores nas mesas, nas janelas, até na bancada da cozinha.
Francine soltou um meio sorriso torto.
— Poderia ser... se Adão aparecesse aqui pelo menos de vez em quando.
Malu arqueou as sobrancelhas, já sentindo o drama no ar.
— Ih, vem bomba. O que foi agora?
Francine suspirou, jogando-se no sofá.
— A gente quase não se vê mais, Malu. Ele vive atolado na empresa, viagens, reuniões... eu fico aqui, sozinha, conversando com buquês.
A amiga sentou ao lado dela e cruzou as pernas, avaliando o ambiente coberto de flores.
— Amiga, se ele tivesse realmente mudado com você, não mandava um jardim inteiro pra esse apartamento. Você tá namorando um CEO, esperava mesmo que ele tivesse todo tempo do mundo pra ficar com você?
Francine ficou em silêncio por um momento, encarando uma rosa branca sobre a mesa de centro.
— Ele disse que ia ligar ontem. Prometeu. — deu um meio sorriso amargo. — E adivinha?
— Não ligou. — completou Malu, já prevendo. — Olha, eu vi o Dorian ontem na mansão. Ele chegou bem tarde, o clima lá tá péssimo. Ele tá mais irritado do que nunca, voltou a ser aquele Dorian gelado que nem respira direito.
Francine franziu o cenho.
— É... ele me falou das dificuldades na Villeneuve Corp. Talvez seja isso. — ela deu de ombros, tentando se convencer. — Mas é difícil não levar pro lado pessoal quando o silêncio vem de quem você ama.
Malu pousou uma das flores sobre o colo dela.
— Então guarda essa aqui. Pra lembrar que ele ainda pensa em você, mesmo quando não consegue estar presente.
As duas ficaram conversando por um bom tempo sobre tudo e sobre nada.
Malu jogava conversa fora, enquanto Francine desabafava, tentando arrancar do peito a sensação de estar sozinha.

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