Assim que se sentaram à mesa, Cássio, sempre o mais desinibido, resolveu quebrar o gelo.
— Antes de mais nada, Francine, queria dizer que sou seu fã.
Ela ergueu uma sobrancelha, desconfiada.
— Meu fã? Não deu tempo de eu ficar famosa, não.
— Ah, mas é fama de bastidor. — Ele apoiou o antebraço na mesa e apontou o garfo na direção dela. — Desde o baile de máscaras, o Dorian não é mais o mesmo. O homem ficou... completamente domado.
Francine virou o rosto devagar, um sorriso travesso surgindo no canto dos lábios.
— É mesmo? Conte-me mais sobre isso — disse, com uma ironia tão doce quanto perigosa.
Dorian soltou um suspiro fingido e olhou de lado para o amigo.
— Se ele contar mais que isso, acho que vou ter que procurar outro vice-presidente pra minha empresa.
Cássio ergueu as mãos em rendição, rindo.
— Opa, acho que a conversa termina aqui então.
— Termina nada — retrucou Francine, divertida. — Agora fiquei curiosa. O que mais o Dorian andou dizendo sobre mim?
— Nada que ele vá querer que eu repita na frente dele. — Cássio deu um sorriso maroto.
Dorian se recostou na cadeira, pegou o guardanapo com calma e soltou:
— Pelo menos não fui eu que tentei impressionar alguém dando lances num leilão.
Malu quase engasgou com o frango.
Cassio não se deixou abalar. Apenas deu um sorriso cínico e respondeu:
— Eu chamaria isso de um gesto de cavalheirismo.
Dorian arqueou uma sobrancelha, sem levantar os olhos do prato.
— Engraçado... pensei que cavalheirismo envolvesse entregar o presente no final.
Cassio levantou a taça de vinho em direção a Malu, com aquele ar provocante que beirava o charme.
— Está guardado para ser entregue no momento ideal.
Francine deu uma leve ombrada em Malu, tentando disfarçar o riso.
— Ih, acho que o almoço vai render, hein?
Malu revirou os olhos, corando levemente, e tratou de mudar de assunto.
— E a comida, gente? O que acharam? Tá bom o tempero? — perguntou, tentando soar natural enquanto se servia de mais arroz.
Cassio inclinou a cabeça, observando-a com um sorriso que misturava interesse e curiosidade.
— Tá excelente. Onde você aprendeu a cozinhar assim?
Malu deu de ombros, pousando a colher de servir com um ar despretensioso.
— Tenho um chefe muito exigente.
Dorian ergueu o olhar na direção dela, um leve sorriso no canto da boca.
— Nem sou tão exigente assim.
Cassio ergueu o olhar, surpreso.
Nada grave, mas o suficiente para que Cassio erguesse uma sobrancelha, curioso.
— Me dá só um minuto. — Dorian se levantou, ajeitando os punhos da camisa antes de caminhar até a varanda para atender o telefone.
Antes que a conversa pudesse continuar, Dorian voltou, guardando o celular no bolso.
— A gente precisa ir. — disse, lançando um olhar a Cassio. — Mudança de planos na sede.
Cassio assentiu, limpando os lábios com o guardanapo.
— Dever cumprido por aqui, então.
Francine se levantou também, o sorriso ainda no rosto, mas com um leve ar de desapontamento.
— Já?
Dorian se aproximou, segurando-a pela cintura.
— Prometo compensar depois. — sussurrou, deixando um beijo rápido em sua têmpora antes de seguir para a porta.
Cassio se despediu de Malu com um sorriso lento e uma piscadinha leve.
— Obrigado pelo almoço, chef.
— De nada — respondeu Malu, sem encará-lo diretamente, mas com as covinhas denunciando o sorriso. — Só não se acostuma.
As vozes dos dois homens ecoaram pelo corredor até sumirem completamente, e o apartamento pareceu mais silencioso de repente.
Francine suspirou, pegando a caixa de chocolates importados sobre o aparador e se jogando no sofá.
— Pelo menos a sobremesa é só nossa. — disse, abrindo a tampa e oferecendo um bombom a Malu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras