As viagens de Francine tinham se tornado cada vez mais frequentes nas últimas semanas.
A carreira dela estava em ascensão, e as oportunidades vinham de todos os lados: campanhas publicitárias, desfiles exclusivos, entrevistas e editoriais de moda espalhados pelo mundo.
Viena, Paris, Milão, São Paulo, às vezes parecia que ela vivia mais dentro de um avião do que em casa.
Dorian, por outro lado, mergulhava em uma fase delicada na Villeneuve Corp.
As negociações internacionais exigiam cada vez mais dele, e as viagens para reuniões e conferências se tornaram rotina.
Quando Francine chegava de viagem, ele estava saindo; quando ele retornava, ela já estava no embarque seguinte.
Os desencontros viraram parte da vida dos dois, uma dança silenciosa de compromissos que pareciam sempre se desencontrar por um fuso horário.
Ela já havia perdido a conta de quantas vezes arrumara as malas com uma mão e segurara o celular com a outra, falando com Dorian em videochamadas apressadas.
As mensagens, os áudios rápidos e as chamadas de madrugada se tornaram o ponto de equilíbrio entre o mundo intenso de ambos.
Mensagens trocadas entre reuniões, videochamadas rápidas nos intervalos de voos, fotos enviadas para matar a saudade.
Às vezes, ela adormecia com o telefone na mão, depois de ouvir a voz dele dizendo "boa noite".
Em outras, era ele quem ficava fitando a tela escura do notebook depois que a chamada caía, com uma saudade que o trabalho não conseguia aplacar.
Mas a vida seguia seu ritmo impiedoso.
Dorian desembarcou em Viena em uma manhã fria e acinzentada, o céu coberto por uma névoa espessa.
Tinha ido encontrar-se com Martin Colucci, um investidor conhecido por seu temperamento excêntrico e sua habilidade em transformar empresas pequenas em impérios.
O motorista o aguardava na saída do aeroporto com uma placa simples: Mr. Villeneuve.
Ele ajeitou o casaco e entrou no carro sem dizer uma palavra.
O encontro estava marcado em um café tradicional, mas, ao chegar, Dorian foi surpreendido por um convite inusitado.
— Senhor Villeneuve, vamos conversar em um evento esta noite. Odeio reuniões trancadas em salas — disse, com um sorriso debochado. — Além disso, é sempre bom avaliar negócios em meio à arte.
Arte, no caso de Colucci, significava um desfile de moda em um dos salões mais luxuosos da cidade.
Dorian, por educação e curiosidade, aceitou.
A passarela, montada no centro do salão, era cercada por fileiras de cadeiras cobertas de veludo, e lustres de cristal lançavam reflexos dourados sobre o público.
Eles se acomodaram lado a lado.
Martin, em um terno azul marinho de corte perfeito, parecia completamente à vontade, cumprimentando pessoas com ar de quem se divertia mais observando do que participando.
— Não se preocupe, Villeneuve. — disse ele, com um sorriso enviesado. — Negócios devem ser feitos com leveza. E, às vezes, com boa companhia.
— Então — começou Dorian, tentando retomar o assunto dos investimentos —, sobre o aporte para a filial europeia...
Martin ergueu um dedo, interrompendo-o.
— Depois. — Sorriu. — Vamos conversar quando eu decidir quem será minha acompanhante esta noite.
Dorian crispou o maxilar, mas manteve o olhar sereno.
O tipo de joguinho que Martin gostava de fazer não o impressionava.
O desfile começou.
As modelos surgiram uma a uma, desfilando com vestidos deslumbrantes.
Martin observava entediado, tamborilando os dedos no joelho, enquanto Dorian apenas acompanhava com cortesia profissional.
Até que, de repente, algo mudou em sua expressão.
Ele se endireitou na cadeira, e um sorriso curioso se formou em seus lábios.

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