O aeroporto fervilhava de vozes, malas e partidas apressadas, mas Francine parecia flutuar.
Vestia uma calça de linho bege, blusa de seda branca e óculos escuros enormes, um misto de elegância e autoconfiança que fazia as pessoas olharem duas vezes.
Ao lado dela, Dorian caminhava com o celular colado ao ouvido, resolvendo os últimos detalhes antes de embarcar para os Estados Unidos.
— Então você está indo para um desfile exclusivo? — ele perguntou, desligando o telefone e olhando para ela com um meio sorriso.
— Exclusividade é meu sobrenome — respondeu Francine, ajeitando o cabelo com um ar de falsa modéstia. — Disseram que vai ser em um hotel no litoral de São Paulo, algo bem restrito, pra poucos convidados.
— E a Montblanc sabe disso?
— Uhum. Foram eles mesmos que enviaram o contrato. Parece um daqueles desfiles privados, só pra investidores e clientes da marca.
Ela deu um passo à frente e, com aquele brilho travesso no olhar, completou:
— Quem sabe eu não consiga uns investidores pra você também? Dizem que moda e negócios andam de mãos dadas, né?
Dorian arqueou uma sobrancelha.
— Eu já tenho investidores o bastante, senhorita Morais.
— Eu sei. Conseguiu um inclusive por minha causa — provocou, com um sorrisinho debochado.
Ele soltou uma risada curta e balançou a cabeça, já se acostumando com as ironias dela.
— Só não esqueça de se cuidar.
— Eu? Me cuidar? — Francine deu um meio giro, como se desfilasse no saguão do aeroporto. — Vai ser só um final de semana. Depois disso, Paris me espera. Vou realizar meu sonho de desfilar na Paris Fashion Week!
O anúncio do embarque ecoou pelos alto-falantes. Dorian verificou o relógio e suspirou.
— Prometo te encontrar em Paris antes do desfile então — disse, tocando o queixo dela com os dedos.
— Vou cobrar.
Antes que ele pudesse responder, Cassio surgiu apressado, carregando uma mochila e o passaporte na mão.
— Achei que ia perder o voo — murmurou.
— Meu espião particular também vai? — perguntou Francine, apontando para Cássio com o queixo.
— Sim, mas vou ficar só dois dias. Tenho que voltar pra ajustar uns contratos aqui no Brasil.
Os três trocaram despedidas rápidas.
Francine assistiu enquanto Dorian e Cassio seguiam para o portão internacional.
Depois respirou fundo, ajeitou a bolsa no ombro e caminhou na direção oposta para o seu portão de embarque.
Quando desembarcou em São Paulo, o clima era abafado e o ar parecia mais pesado.
Francine desceu do avião ajeitando o blazer e atravessou o saguão olhando em volta à procura de alguém.
Foi quando viu um homem alto, de terno escuro e rosto sério, segurando uma plaquinha com o nome "Francine Morais".
Pegou o celular e gravou um pequeno vídeo para postar depois, com a legenda: “Rumo ao paraíso”.
Mas o paraíso nunca pareceu tão longe.
Assim que desligou a gravação, ouviu o motorista que a tinha levado ate o aeroporto chamando a atenção dela.
Virou o rosto, mas antes que pudesse reagir, com uma mão firme ele segurou seu queixo e com a outra pressionou um pano que cobriu seu nariz e boca.
O cheiro doce e enjoativo invadiu seus pulmões.
Ela tentou lutar, empurrar, gritar, mas o som morreu na garganta.
A visão escureceu em segundos, e o último pensamento antes de desmaiar foi o rosto de Dorian se afastando no saguão do aeroporto.
Longe dali, em algum ponto da mata, o helicóptero desceu suavemente em uma pista clandestina.
Dois homens a retiraram inconsciente e a colocaram em um carro preto.
No silêncio da floresta, um telefone tocou.
— Ela está conosco — disse a voz do piloto.
Do outro lado da linha, Natan sorriu, tragando o cigarro com calma.
— Excelente. Agora, o jogo pode começar.

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