Assim que o avião pousou e o aviso de “pode ligar seus aparelhos eletrônicos” ecoou pela cabine, Dorian pegou o celular.
O aparelho vibrou com dezenas de notificações, mas uma, em especial, chamou sua atenção.
“Esses caras são meio estranhos. Tô indo pro litoral agora. Te aviso quando chegar.”
A mensagem tinha sido enviada há quase sete horas.
Dorian franziu o cenho.
O voo dela para o litoral não passaria de quarenta minutos, no máximo.
Se estivesse tudo bem, Francine já deveria ter chegado, mandado foto, feito piada, algo.
O estômago dele se contraiu. Tentou ligar.
Caixa postal.
Tentou de novo.
Caixa postal.
Cassio, sentado ao lado, notou o desconforto.
— Algum problema?
Dorian olhou pela janela antes de responder, tentando disfarçar a tensão na voz.
— Francine. Ela me mandou uma mensagem esquisita. Disse que achou os caras que foram buscá-la… estranhos.
Cassio arqueou uma sobrancelha.
— Estranhos como?
— Não sei. Só disse isso. Mas o voo dela já devia ter pousado há muito tempo, e o celular tá fora de área.
Cassio respirou fundo, tentando manter a calma que Dorian já estava perdendo.
— Vamos fazer o seguinte. A gente vai pro hotel, guarda as coisas e tenta entender o que aconteceu. Se for algo sério, você vai ter mais recursos pra agir de lá do que travado aqui no aeroporto.
Dorian não respondeu.
Apenas assentiu, o maxilar travado, os dedos tamborilando na perna enquanto o carro os levava para o hotel.
A cada dez minutos, uma nova tentativa de ligação. Todas com o mesmo resultado.
O som da caixa postal parecia zombar dele.
Assim que entrou no quarto do hotel, Dorian nem esperou por Cassio, que ainda finalizava o check-in.
Pegou o celular e começou uma busca frenética por respostas.
Ligou primeiro para Pascal, exigindo detalhes sobre o tal evento em que Francine iria desfilar.
Mal desligou e já estava vasculhando a internet, procurando contatos, nomes, qualquer menção que confirmasse a existência daquela marca.
Os dedos dele se moviam com pressa quase desesperada sobre o teclado, mas, a cada nova tentativa, o silêncio das telas só aumentava a sensação de que algo estava terrivelmente errado.
Dorian fez mais uma ligação, agora para o número do hotel que supostamente sediaria o evento.
— Hotel Atlantis, boa noite. Em que posso ajudá-lo? — a voz feminina soou calma, quase entediada.
— Boa noite. Eu preciso de informações sobre o evento programado para esse fim de semana — respondeu ele, direto. — É um desfile de uma marca de luxo. Quero o nome dos contratantes, o CNPJ, qualquer dado que você tiver.
— Senhor, sinto muito, mas esses dados são restritos aos organizadores.
Dorian respirou fundo, tentando conter o nervosismo que fazia o maxilar latejar.

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