Dorian tentou ligar para o número.
Uma, duas, três vezes.
Todas caíram direto na caixa postal.
Ele prendeu o celular entre os dedos com força, como se tentasse esmagar a impotência junto com o aparelho.
— Não adianta, eles não vão atender — Cassio disse, tentando manter a calma. — Você precisa pensar com clareza.
Mas Dorian já tinha outra coisa em mente. Ele se recompôs num gesto seco e já estava discando o primeiro número antes que Cassio dissesse qualquer coisa.
— Vou ligar para o Departamento de Segurança — murmurou, e a ligação foi atendida quase de imediato.
— Senhor Villamar, tudo bem? — a voz do outro lado era tensa, profissional.
— Não. Quero que rastreiem um vídeo que acabei de receber. Agora.
— Entendido. O senhor pode encaminhar o arquivo?
— Já está no sistema. Use o protocolo interno “nível preto”.
Cassio o observava de canto, surpreso com a frieza.
Ele conhecia Dorian o bastante pra saber que aquele tom só aparecia quando algo realmente grave estava em jogo.
— Quero identificação de origem, IP, rota de envio e todos os dispositivos por onde o arquivo passou — continuou Dorian, andando de um lado para o outro. — Se for criptografado, quebrem. Se o remetente usou VPN, rastreiem a cadeia. Quero uma resposta pra ontem.
Do outro lado, a equipe apenas confirmou:
— Sim, senhor.
Cassio observava a transformação dele.
O desespero inicial dera lugar a um foco gélido.
O homem que há poucos minutos havia tentado negociar com uma atendente de hotel agora comandava uma operação de resgate como quem planeja uma guerra.
— Dorian, você vai acionar a polícia? — Cassio perguntou, ainda hesitante.
— Não antes de saber quem está por trás. — Ele respondeu sem desviar o olhar da tela. — Se envolvermos a polícia cedo demais, eles podem sumir com ela.
— O que eles pediram? — Cassio perguntou.
— Ainda nada.
— Então é pior.
Dorian se endireitou.
— Pior pra eles.
O vídeo era repetido na tela do celular, mas o que congelava Dorian não era a imagem, era o subtexto.
Francine estava nas mãos de alguém que sabia exatamente o que estava fazendo.
O aparelho vibrou novamente.
Nova mensagem.
Dorian abriu.
— Dorian… a gente precisa pensar com calma. Se eles sabem onde você está, isso significa que estão monitorando cada passo. Pode ser perigoso voltar agora.
Dorian passou a mão pelos cabelos, tentando conter a raiva.
— Eles estão com ela, Cassio. Eles estão com a Francine.
Cassio continuou, a voz baixa, cautelosa.
— Dorian, você tem reuniões decisivas nas próximas 48 horas. Se esses contratos não forem fechados, a empresa vai sangrar. Isso vai abrir espaço pra especulação, pra sabotagem... e talvez seja exatamente isso que eles queiram. Tem certeza que não é melhor deixar isso com a polícia? Não dá pra simplesmente largar tudo.
Dorian o encarou, firme.
— Eu não estou largando. Estou confiando.
Cassio o olhou sem entender.
— Eu nunca precisei tanto de você quanto preciso agora, Cassio.
— Dorian, eu…
— Você é meu vice-presidente. Meu melhor amigo. Conhece cada detalhe desses contratos tanto quanto eu. — Ele passou a mão pelos cabelos, exausto. — Francine é minha prioridade agora. E eu preciso estar lá, não vou conseguir ficar por aqui, nem vou ter cabeça pra negociar o que quer que seja.
Cassio respirou fundo, lutando entre a razão e a lealdade.
— Então vai. Eu seguro aqui. Mas, Dorian… — ele hesitou, a voz ficando mais baixa — ...toma cuidado.
Cassio o observou recolher o notebook, o olhar fixo, determinado, e percebeu algo que há tempos não via no rosto dele: medo.
Não o medo da perda financeira, nem da falência, mas o medo humano, cru, de quem pode perder algo que dinheiro nenhum compra: um amor verdadeiro.

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