O portão do galpão rangeu, quebrando o silêncio pesado do lugar.
O som metálico ecoou, cada estalo batendo como um tambor no peito de Francine.
Seu coração disparou.
Por um instante, pensou que o prazo tinha acabado, que aqueles seriam seus “48 segundos de fama” antes do fim.
A luz forte da manhã invadiu o galpão, e ela instintivamente fechou os olhos, piscando rápido, tentando enxergar através do clarão.
Tudo o que via era uma silhueta recortada contra o brilho, alta, firme, caminhando com passos decididos.
E então, quando a voz dele atravessou o ar, ela soube.
— Francine!
O ar finalmente voltou aos pulmões dela.
— Dorian… — a voz saiu num sussurro, quebrada entre o alívio e a descrença.
Ele correu até ela, atravessando o galpão como se o mundo inteiro tivesse deixado de existir.
Se ajoelhou na frente da cadeira e, sem hesitar, passou as mãos pelo corpo dela, o toque rápido e urgente, procurando por ferimentos, marcas, qualquer sinal de dor.
— Você tá machucada? — ele perguntou, a voz grave tremendo no limite do desespero contido.
Francine respirou fundo, tentando processar a enxurrada de emoções.
Mesmo ali, amarrada, bagunçada, com metade do cabelo cortado, conseguiu encontrar espaço para o sarcasmo.
— Já passou a mão em mim várias vezes, Dorian… mas nunca com tanta vontade.
Ele riu baixo, o riso vindo da alma, e a abraçou com força, como se aquele toque fosse a única forma de se certificar de que ela era real.
— Meu Deus, você não faz ideia do inferno que foram essas últimas horas.
— Imagino — ela respondeu, tentando disfarçar o tremor na voz. — Mas olha, sobrevivi. E, aparentemente, de visual novo.
Ele afastou uma mecha curta do rosto dela e sorriu, os olhos marejados.
— Continua linda.
Francine ergueu o queixo, um brilho malicioso nos olhos.
— É claro, eu sou maravilhosa de qualquer jeito.
O sorriso dele se alargou, e ele encostou a testa na dela por um segundo, respirando fundo, como se aquele simples gesto o colocasse de volta à vida.
— Vamos te tirar daqui — murmurou, pegando a chave do cadeado com mãos trêmulas.
O clique metálico soou como música.
As correntes caíram, e Francine moveu os pulsos devagar, sentindo o sangue voltar a circular.
Dorian se levantou de um pulo e virou-se para a equipe, que já aguardava na entrada.
— Entrem! Façam uma varredura. E levem ela para um local seguro.
Dois seguranças se aproximaram, ajudando Francine a se levantar.
Ela se apoiou brevemente em Dorian, que não largou sua mão nem por um segundo.
E então ouviu a voz.
— Acho que temos algumas contas pra acertar.
Dorian surgiu de trás de algumas caixas, as mangas da camisa dobradas, o olhar sombrio e sereno ao mesmo tempo.
A postura dele era diferente.
Não era o executivo refinado, era o homem que havia cruzado meio mundo para salvar a mulher que amava.
Natan deu um passo para trás, o rosto empalidecendo.
— Villeneuve…
— Surpreso? — Dorian avançou devagar, os olhos fixos nele. — Achei que estivesse esperando a minha visita.
— Na verdade, não. Mas digamos que também não é um mau negócio você estar aqui.
Dorian franziu o cenho, o tom dele mais baixo, ameaçador.
— Ah é? — fechou os punhos estalando os dedos, o som seco ecoando pelo galpão. — E por quê?
Natan deu um passo para o lado, recobrando parte da confiança ao ver o olhar de Dorian endurecer.
Com a lentidão de quem saboreia o momento, ergueu o celular, o brilho da tela refletindo no rosto dele.
— Porque, meu caro Dorian… — disse, exibindo o aparelho com um sorriso triunfante — o tempo está do meu lado.
Na tela, um contador regressivo piscava em vermelho: 00:04:37.

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