Por um segundo, o ar pareceu sumir do ambiente.
O silêncio ficou espesso, quebrado apenas pelo som rítmico e cruel da contagem regressiva.
— Esse presentinho — continuou ele, com a voz impregnada de escárnio — era pra Francine. Um encerramento dramático, digno de uma estrela. Mas já que o herói veio salvar a donzela, achei justo presentear ele no lugar dela.
Dorian deu um passo à frente, e o olhar dele queimava.
— Onde está o detonador?
— Tá por aí — Natan sacudiu o celular, divertido. — Em contagem regressiva, direto pro inferno.
Dorian avaliou o espaço em volta, a distância entre eles, o tom do inimigo.
— Você é mais doente do que eu pensava — rosnou Dorian, avançando com o olhar cravado em Natan. — Mas não tem problema. Quatro minutos é tempo suficiente pra eu te colocar no seu lugar.
O sorriso presunçoso sumiu do rosto de Natan assim que Dorian partiu pra cima.
O primeiro golpe veio como um raio, um soco direto no maxilar, que fez o celular voar da mão de Natan e cair no chão com o cronômetro ainda piscando.
— Isso é por ter tocado nela — murmurou, socando o rosto de Natan uma, duas, três vezes. — E por cada segundo em que ela teve medo por sua causa.
Natan cambaleou, tentou revidar, mas Dorian segurou o braço dele, girando o corpo e o jogando contra uma pilha de caixas de metal.
O barulho ecoou pelo galpão.
— Você acabou com a minha vida! — gritou Natan, erguendo-se com o rosto ensanguentado, puxando uma barra de ferro caída ao lado.
— E você tentou acabar com a da mulher que eu amo. — Dorian avançou outra vez, desviando da barra de ferro e acertando um soco seco no estômago.
Natan se curvou, arfando, e Dorian o empurrou contra uma parede, pressionando o antebraço na garganta dele.
— O problema de lunáticos como você é achar que vingança é sinônimo de justiça.
— Justiça? — Natan tossiu, com um riso rouco. — Isso aqui é equilíbrio, Villeneuve!
Com um movimento brusco, ele acertou um chute em Dorian, o suficiente pra se soltar e correr até o celular caído no chão.
Mas Dorian foi mais rápido.
Ele alcançou Natan por trás, torcendo o braço dele até ouvir o estalo, não que tenha se importado com o grito de dor que veio em seguida.
Enquanto Natan ainda se contorcia de dor, Dorian deu dois chutes nas costelas dele, com toda raiva que vinha guardando.
Ele olhou para o celular caído no chão, o contador ainda piscando em vermelho. 00:00:41.
Dorian respirava ofegante, o sangue latejando nos ouvidos.
Pegou o aparelho, os dedos trêmulos deslizando sobre a tela até encontrar a opção de desarme.
Um bip soou.
Contagem parada.
Por um instante, o silêncio pareceu absoluto.
Natan permanecia imóvel, respirando com dificuldade.
Dorian soltou um suspiro pesado, sentindo o ar frio preencher o peito.
— Acabou, Natan. Se depender do meu dinheiro, você vai apodrecer na cadeia por isso.
Ele largou o celular no chão, cambaleando até a porta do galpão.

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