Francine estava tão exausta que adormeceu ainda apoiada no peito de Dorian.
O som do coração dele preenchia o silêncio do hospital, e por algum tempo o mundo pareceu em paz.
Até o celular começar a vibrar sobre a mesinha de apoio.
Francine abriu um olho, se levantou ainda preguiçosa, e pegou o aparelho.
— É o Cassio. — murmurou, estendendo o telefone para Dorian.
Ele resmungou alguma coisa sobre “nem no hospital ter sossego”, mas atendeu.
Assim que o viva-voz foi ativado, a voz debochada de Cassio preencheu o quarto:
— Finalmente! Olha só quem resolveu voltar à civilização: o senhor super-herói em pessoa! E aí, como foi o resgate? A Francine tá bem? Diz que sim, preciso pegar o contato da Malu antes que ela me esqueça.
Francine abriu um sorriso preguiçoso.
— Seu chefe quase morreu e você tá preocupado com mulher?
Do outro lado da linha, houve um breve silêncio.
— Como assim quase morreu? — Cassio perguntou, já com outro tom.
Dorian soltou uma risadinha cansada.
— É uma longa história, e eu prometo contar com detalhes… depois que você voltar. Mas agora me diz, vou precisar arrumar um emprego novo ou a Villeneuve Corp ainda existe?
Cassio respirou fundo, fazendo suspense de propósito.
— Então… — começou, arrastando o tom. — Pode mandar fazer um busto meu na frente da empresa, em tamanho real, porque ontem eu fechei duas parcerias que cobrem o rombo que seu pai deixou.
Dorian levou a mão à testa, rindo com alívio.
— Você é um gênio, Cassio.
Francine sorriu, o olhar brilhando.
— Tradução: o império sobreviveu.
— Sobreviveu e vai prosperar, senhorita Morais — Cassio respondeu, satisfeito. — E tem mais: hoje à tarde eu tenho uma última reunião. Se tudo der certo, garantimos investimento suficiente pra dominar o mercado brasileiro pelos próximos cinco anos.
— Cinco anos? — Dorian arqueou a sobrancelha, impressionado. — Acho que vou poder te dar férias, finalmente.
— Aceito em dinheiro ou em vinho francês — Cassio respondeu, no mesmo tom leve. — Aliás, falando em francês, você falou que a Montblanc vai te mandar pra Paris logo, não é, Francine?
Ela riu, cruzando as pernas na cama.
— Pois é. Só espero que dessa vez o evento não envolva helicópteros, sequestros ou explosões.
— Hm, parece chato — Cassio provocou. — Mas se for com desfile, champagne e você, acho que Dorian vai querer ir junto.
— Cassio, vai trabalhar — Dorian cortou, tentando disfarçar o riso.
— Já tô indo, chefe. Só tenta não explodir de felicidade com os novos investimentos, viu?
— Nem me fale em explodir.

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