A volta para casa estava com um gostinho de nostalgia que ninguém conseguia explicar.
Francine encostou a cabeça no ombro de Dorian, observando as ruas da cidade ficando cada vez mais familiares à medida que se aproximavam do seu apartamento.
Quando o carro parou em frente ao prédio, ele segurou a mão dela e disse, com a voz calma:
— Assim que chegar lá em cima, vai direto pro banho e descansa. Depois você pode arrumar as malas. Nosso voo pra Paris só sai amanhã à noite.
Francine arqueou a sobrancelha, um sorrisinho se formando.
— Dorian, o que mais fizemos nos ultimos dois dias foi descansar. Acho que já posso ter de volta um pouquinho de agitação, não é?
— Eu prefiro que você agite em Paris. — Ele inclinou a cabeça. — E liga pra Malu, ela deve estar arrancando os cabelos de preocupação.
Ela soltou um riso curto.
— Eu adoraria, mas... esqueceu de um detalhe: não tenho mais celular, lembra?
Dorian coçou a cabeça, fazendo uma careta.
— Certo... eu vou resolver isso.
Algumas horas depois, Francine estava de joelhos diante da mala aberta no chão, decidindo entre vestidos e sapatos, quando o interfone tocou.
— Dona Francine? — disse a voz do porteiro. — Tem uma entrega pra senhora.
Ela franziu o cenho, pegou a chave e desceu.
Um entregador a aguardava com um buquê de flores brancas e uma caixa pequena envolta em papel dourado.
No cartão, apenas duas palavras escritas à mão:
“Problema resolvido.”
Ela abriu o pacote e deu de cara com um celular novinho.
Francine riu sozinha.
— Esse homem não existe.
De volta ao apartamento, ela ligou o aparelho e começou a configurá-lo.
Enquanto a tela inicial se iluminava, uma lembrança tomou conta da mente dela: o dia em que testou a câmera do celular novo e flagrou Dorian fazendo calistenia no terraço ao pôr do sol.
Na época, ela fingiu não estar interessada.
Mas, sinceramente? Nunca superou a cena.
Curiosa, abriu o aplicativo de backup e começou a navegar pelos arquivos antigos.
— Duvido que esse vídeo ainda exista... — murmurou, mexendo distraída nas pastas.
Mas lá estava ele.

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