Francine acordou pela manhã envolta nos braços de Dorian.
A respiração suave dele não lembrava em nada a respiração ofegante da noite anterior.
Ela sorriu sozinha, o coração leve.
“É o clima de Paris”, pensou.
Tentou se desvencilhar do abraço para levantar, mas sentiu o aperto dos braços dele aumentar levemente.
— Aonde vai, senhorita Morais? — murmurou, ainda de olhos fechados, a voz grave e sonolenta.
— Eu tenho um dia cheio, Villeneuve. — respondeu, saindo da cama e indo direto para o banheiro. — Preciso encontrar o Pascal pra tirar as novas polas, ou o mundo da moda vai achar que eu virei uma fã do corte ‘sequestrada chic’.
Dorian abriu um olho, preguiçoso.
— Você podia aposentar o título de modelo e virar roteirista. Sequestrada chic tem potencial.
Francine pegou a toalha e jogou nele.
— E você podia parar de ser preguiçoso e me acompanhar.
— Se isso incluir um banho com você, não precisa pedir duas vezes... — retrucou ele, já se levantando com aquele sorriso maroto.
Ela revirou os olhos, mas não conteve o riso.
Quando desceram, um táxi já os esperava na porta do hotel.
No caminho para a agência, Dorian parecia distante, o olhar perdido além da janela.
Os dedos tamborilavam discretamente sobre o joelho, o que Francine já sabia que era sinal de inquietação.
— Tá tudo bem? — perguntou, virando o rosto para ele.
Ele respirou fundo antes de responder.
— Eu só... não quero que você perca nenhum contrato por minha causa.
— Dorian… — ela suspirou. — A culpa não é sua.
— Natan só fez isso com você porque queria me atingir. Se eu não tivesse cruzado seu caminho...
— Aí eu nunca teria ido ao baile e nunca teria conseguido minha primeira chance na Montblanc. — completou, firme. — Então, faz um favor pra mim? Pára de achar que tudo é culpa sua. O único culpado disso tudo tem nome e sobrenome: Natan, o maluco.
Ele soltou um riso breve, passando o braço em volta dela nos poucos minutos do trajeto.
Pascal já os esperava na porta da agência, com uma taça de café expresso na mão e a expressão de quem avaliava uma obra-prima.
— Mon Dieu, Francine! — exclamou, dando uma volta em torno dela. — Esse cabelo... é arte! Adrien superou a si mesmo!
— Então minhas chances na PFW ainda estão vivas? — perguntou ela, divertida.
— Mais que vivas, ma chère! — ele ajeitou o colarinho com entusiasmo. — Vamos mostrar aos clientes a nova Francine. Forte. Misteriosa. Um pouco trágica, mas ainda assim impecável.
Ele a conduziu até uma varanda anexa inundada de luz natural, onde o fotógrafo já aguardava.
Enquanto ela posava, Pascal e Dorian se afastaram discretamente, conversando em voz baixa.
Francine tentou disfarçar, inclinando a cabeça para o lado conforme o fotógrafo pedia, mas a curiosidade a consumia.
“Esses dois tramando em francês... certeza que vem confusão por aí.”
Quando o ensaio terminou, ela se aproximou dos dois, cruzando os braços.
— Que tanto vocês cochicham aí?
— Vinho francês e um CEO charmoso me levando pra almoçar na Torre Eiffel? — ela provocou. — Tá tentando me impressionar?
Ele deu de ombros, com aquele sorriso no canto da boca.
— Preciso tirar a má impressão que você ficou da primeira visita.
Francine soltou uma risadinha e se recostou no assento, observando a cidade passar pela janela do carro.
Algum tempo depois, já no alto da Torre Eiffel, ela se pegou rindo sozinha.
A vista continuava a mesma, mas a sensação era completamente diferente.
Da primeira vez, lembrava-se de ter olhado para aquela paisagem com um nó no peito.
Tudo parecia tão bonito… e, ao mesmo tempo, tão vazio.
Casais se beijando por todos os lados, taças tilintando, promessas sendo feitas em línguas que ela mal compreendia.
E ela, ali no meio, tentando se convencer de que o sonho compensava a solidão.
Agora não.
Agora, o mesmo cenário parecia uma pintura viva, cada luz, cada riso, cada toque.
Porque agora ela fazia parte dele.
Dorian segurou a mão dela por cima da mesa, e ela percebeu que o coração finalmente acompanhava o compasso tranquilo da cidade.
Tudo o que antes doía, agora tinha virado motivo pra sorrir.
Paris continuava sendo Paris. Mas a vida dela era outra, completamente diferente.

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