Francine saiu do banheiro vestindo um maiô elegante preto e um robe transparente que flutuava a cada passo.
— Vou descer um pouco pra piscina — avisou, prendendo o cabelo com um coque improvisado. — Você vem comigo?
Dorian levantou o olhar do notebook, e o ar entre eles pareceu mudar.
Por um instante, ele só observou o contraste do tecido preto com a pele clara, a delicadeza dos ombros, o jeito displicente com que ela o provocava mesmo sem tentar.
Um sorriso de canto curvou os lábios dele.
— A ideia de te ver toda molhada e com tão pouca roupa é tentadora — murmurou, fechando o notebook — mas ainda tenho alguns assuntos a resolver aqui.
Francine fez um biquinho dramático, cruzando os braços.
— Você é o único homem do mundo que recusa um convite desses, Villeneuve.
Ele deu uma risada curta.
— E você é a única mulher que sabe que pode me deixar maluco mesmo quando não tenta.
Ela se aproximou, o perfume suave misturando-se ao cheiro amadeirado que dominava o quarto.
— Então boa sorte com seus “assuntos importantes”. — disse, deixando um beijo leve nos lábios dele antes de sair.
Assim que a porta se fechou, o sorriso no rosto de Dorian desapareceu, substituído por aquela concentração fria e precisa que o tornava quem era.
Ele pegou o celular e ligou.
— Estou saindo agora — disse, em tom firme. — Nos vemos no Le Marais.
O restaurante Le Marais estava particularmente tranquilo naquela tarde.
Do terraço, via-se parte da cidade coberta por uma névoa dourada de fim de dia.
Pascal já estava lá, uma taça de vinho tinto à frente, quando Dorian entrou, impecável como sempre, mesmo sem gravata.
— E então? — Dorian perguntou, assim que o garçom se afastou. — Como foram as negociações?
Pascal fez uma pausa antes de responder, girando o vinho no copo.
— Francine perdeu apenas dois contratos, mas ainda conseguimos manter seis. — disse, com um ar satisfeito. — E considerando o estrago, isso é quase um milagre.
Dorian se recostou na cadeira e levou o copo aos lábios, saboreando o vinho antes de perguntar, num tom medido:
— Se você não mencionou nada, imagino que o contrato com a Maison Chevalier ainda esteja mantido, certo?
Pascal arqueou uma sobrancelha.
— Mantido, sim. Pelo menos até agora. Eles ainda estão avaliando o impacto do visual, mas não demonstraram intenção de recuar.
Um sorriso lento se formou no rosto de Dorian.
— Ótimo. Mas você conseguiu a autorização deles?
— Por ela eu faço qualquer coisa. — disse, enfim. — Ela merece isso. Ela merece ser o centro do mundo, nem que seja por uma noite.
O silêncio se estendeu entre eles, até que Pascal se recostou na cadeira, sorrindo com um misto de admiração e incredulidade.
— Você realmente tá apaixonado, hein?
Dorian levantou o olhar, um leve brilho nos olhos que ele tentou disfarçar.
— Eu diria que estou… inspirado.
Pascal deu uma risadinha.
— Então tá decidido. Vamos fazer isso. Mas aviso: se der certo, você vai me dever uma garrafa de Romanée-Conti.
Dorian estendeu a mão, firme.
— E se der errado?
Pascal apertou a mão dele, o sorriso de canto crescendo.
— Aí eu vou negar até a morte que tive qualquer envolvimento.
Os dois riram, o som misturado ao tilintar discreto das taças e ao murmúrio distante da cidade lá fora.
Naquele dia, o empresário que sempre controlava tudo decidiu abrir mão da própria reserva só pra ver a mulher que amava brilhar mais do que qualquer luz da cidade.

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