A manhã em Paris nasceu dourada, e do alto do hotel, a vista da Torre Eiffel se erguia como um presságio da grandeza do dia que iniciava.
Era o primeiro dia da Paris Fashion Week, e por mais que tivesse passado noites inteiras ensaiando mentalmente aquele momento, agora que o dia tinha chegado, parecia que tudo voltava a ser novo: o frio na barriga, a ansiedade, o medo de tropeçar e estragar tudo.
Francine, debruçada na sacada da varanda, olhava a cidade sem conseguir conter o sorriso.
— Não acredito que isso tá mesmo acontecendo. — murmurou, com os olhos marejados. — Paris Fashion Week. O sonho de qualquer modelo… e eu aqui.
Dorian, ainda meio recostado na cama, a observava com aquele sorriso discreto que só aparecia quando ela estava distraída.
Ele se levantou, caminhando até ela, e encostou o queixo no ombro dela.
— Então é hora de escolher outro sonho. — disse baixinho. — Porque depois dessa semana, você provavelmente vai ter o mundo aos seus pés.
Francine riu, girando o corpo pra encarar ele.
— Para, você tá exagerando.
— Eu nunca exagero. — respondeu ele, sério, os olhos cravados nos dela. — Depois dessa semana, o nome Francine Morais vai estar em todas as revistas, em todos os portais, em cada conversa sobre moda. E, sinceramente? Já tava mais do que na hora.
Ela abaixou o olhar, corando levemente.
— Para de exagerar, Villeneuve. É só um desfile.
— Só um desfile? — ele repetiu, arqueando uma sobrancelha. — Acha mesmo que a PFW é “só um desfile”?
Ela deu uma risada nervosa.
— Você fala como se eu já tivesse ganhado o título de top model.
— Não fala assim — ele disse, puxando-a para um abraço. — Você trabalhou pra isso. E eu quero estar lá pra ver o momento em que todo mundo percebe o que eu já sei faz tempo.
Ela ergueu o rosto, o olhar suave.
— E o que seria isso?
— Que você nasceu pra brilhar — respondeu ele, simples, antes de beijá-la na testa.
Ela ficou sem fala por alguns segundos.
O elogio, vindo dele, tinha um peso diferente, parecia uma verdade incontestável, e o coração dela se encheu de coragem.
— Te vejo mais tarde? — perguntou, pegando a bolsa pra sair.
— Claro. — respondeu ele, com o tom seguro de quem já planejava muito mais do que uma simples presença na plateia. — Estarei te aplaudindo na primeira fileira. Pode me procurar.
Francine piscou, divertida.
— Só se prometer não roubar a atenção das câmeras.
— Sem promessas. — ele respondeu com um sorriso torto. — Você sabe que é difícil competir comigo.
Ela riu, balançando a cabeça, e saiu pela porta.
Nos bastidores do desfile, o caos organizado era quase hipnótico.
Modelos correndo, maquiadores finalizando retoques, estilistas discutindo ajustes nos vestidos, o som dos saltos ecoando pelo chão.
Francine estava acostumada com o ambiente, mas aquele tinha algo diferente.
O ar era mais denso, mais elétrico.
Quando o assistente de produção chamou seu nome, ela deu um passo à frente, o coração batendo forte demais.
— Respira, Francine — disse uma maquiadora sorridente. — Você vai arrasar.
Ela sorriu de volta, mas por dentro estava um furacão.

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