O restante da semana de moda passou voando.
Entre araras lotadas de peças, staff gritando para organizar os bastidores e maquiadores exaustos segurando pincéis como se fossem espadas, Francine se sentia em casa.
— Eu tô vivendo um sonho — comentou com uma modelo ao lado, enquanto esperavam a vez de entrar.
— Então aproveita, porque vai passar tão rápido que você nem vai ver — respondeu a outra, ajeitando o salto com um suspiro dramático.
Francine sorriu. Era verdade.
O ritmo era caótico, mas cada segundo parecia valer a pena.
Ela participou de dois desfiles no segundo dia, e entre uma passarela e outra foi chamada por jornalistas que queriam entrevistar o novo rosto queridinho de Paris.
— “O novo fenômeno brasileiro das passarelas”, é assim que te apresentaram agora há pouco — disse uma jornalista, rindo, enquanto um cameraman ajustava o foco.
Francine ajeitou o microfone e respondeu com o tom leve e provocante que já estava virando sua marca registrada.
— Fenômeno é muita responsabilidade — piscou. — Prefiro “acidente de moda bem-sucedido”.
As risadas tomaram conta, e o flash dos fotógrafos capturou o momento.
A forma como ela desfilava, o balanço natural dos quadris, o olhar confiante e o carisma quase indomável tornava tudo mágico.
Era como se Paris tivesse ganhado uma nova musa, a “brasileira de sorriso debochado".
As buscas por registros dela explodiram nas redes sociais, e a cada novo desfile, os jornalistas se multiplicavam nos bastidores.
No terceiro dia, Francine participou de mais dois desfiles.
O ritmo era insano, mas ela parecia flutuar em meio ao caos.
E, como em todos os outros, lá estava ele: Dorian.
Primeira fileira. Impecável.
O olhar dele acompanhava cada passo dela com um orgulho que dispensava palavras.
Ver Dorian ali, em meio aos flashes e à elite parisiense, trazia uma paz curiosa.
Ele não dizia nada, apenas olhava. Mas aquele olhar bastava.
Durante um intervalo, Francine brincou com Pascal, ainda tentando disfarçar o sorriso bobo.
— Se ele piscar pra mim de novo na plateia, eu erro o passo de propósito só pra ver a cara dele — disse, tirando o salto e massageando os pés.
Pascal levou a mão à testa.
— Mon Dieu, não faça isso! Os fotógrafos vão achar que é tendência.
— Vai ser a tendência do amor, Pascal.
— Ah, l’amour… — ele suspirou teatralmente. — Me pergunto o que seria de mim sem você pra causar pequenos ataques cardíacos fashion.
Assim, entre flashes, passos e figurinos, a semana foi passando.
O encerramento da Paris Fashion Week seria feito pela Maison Chevalier, uma das marcas mais luxuosas e respeitadas do mundo.
Era o desfile mais aguardado da temporada: único, lendário, reservado a poucos convidados da alta sociedade.
A maison vestia atrizes premiadas, princesas e, segundo boatos, até uma ex-primeira-dama misteriosa que jamais repetia um modelo.
Fechar um desfile da Chevalier era mais do que prestígio, era um marco.
O clima nos bastidores estava elétrico.

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