O salão reservado para degustação ficava em um casarão antigo às margens do Sena, com janelas altas e cortinas de linho que dançavam com o vento.
A mesa à frente delas parecia uma exposição de arte: pequenos pratos decorados com flores comestíveis, porções minúsculas de massas, molhos coloridos, terrines, queijos e sobremesas tão delicadas que pareciam joias.
Malu olhou para tudo aquilo com um misto de encanto e espanto.
— Me diz que isso não é a refeição inteira — murmurou, cutucando com o garfo um pedaço de salmão do tamanho de uma moeda.
Francine, rindo, acenou para o chef que as observava atentamente.
— É o estilo francês, Malu. Pequenas porções, sabores delicados, tudo com elegância.
— Elegância? Isso aqui é tortura gourmet! — Malu retrucou, levando o garfo à boca. — Se o casamento durar mais de uma hora, o povo vai atacar o bolo antes da cerimônia acabar.
Francine gargalhou.
— Ah, para! Tá tudo delicioso. Esse molho de trufas é divino.
— É divino, mas não enche. — Malu pegou o próximo prato, um mini risoto com camarão, e suspirou. — Amiga, sinceramente, você tem certeza que não quer trocar isso aqui por um bom churrasco? Eu conheço um buffet brasileiro incrível. Farofa, arroz, picanha no ponto...
Francine arqueou a sobrancelha, se divertindo com o drama.
— Malu, se você quiser churrasco, pode fazer quando casar com o Cassio.
Malu quase engasgou com o risoto.
— Ihhhh, lá vem você com essas ideias de novo… — murmurou, tentando disfarçar o sorriso. — Já falei que ele é encrenca.
— Encrenca irresistível, você quer dizer. — Francine apoiou o queixo nas mãos, fingindo inocência. — E você sabe que ele vai ser o padrinho escolhido pelo Dorian, né?
Malu levantou o olhar devagar, desconfiada.
— Não brinca com isso, Francine.
— Tarde demais. — Francine piscou. — Vocês vão entrar juntos. Se quiserem, posso até emprestar a cerimônia pra vocês fazerem os votos.
— Ah, claro — Malu respondeu, sarcástica. — Já imagino o Cassio prometendo me irritar pelo resto da vida enquanto eu juro não matar ele antes do primeiro aniversário.
As duas ainda riam quando o chef agradeceu discretamente e se retirou, deixando a mesa livre para o próximo compromisso do dia.
Malu limpou os olhos, ainda chorando de tanto rir, e olhou para o relógio.
— E agora? Qual a próxima tortura francesa da agenda?
Francine pegou a bolsa e respondeu, animada:
— Agora é coisa séria. Vamos encontrar a cerimonialista que o Dorian contratou. Ela quer revisar os últimos detalhes da decoração e do cronograma da cerimônia.
O carro as levou até um pequeno escritório com fachada elegante, escondido entre cafés e galerias de arte.
A cerimonialista, uma mulher alta, de postura impecável e sotaque carregado, as recebeu com um sorriso profissional.
— Madame Villeneuve, Mademoiselle Malu, bienvenue! — cumprimentou. — O local já está sendo preparado. As flores serão entregues na manhã do evento, e o menu está aprovado pelo chef do Le Cygne D’Or.
Francine trocou um olhar divertido com Malu.
— A cerimônia deve começar exatamente ao pôr do sol, quando passarem pela Pont Alexandre III.
Malu suspirou, sonhadora, quando Francine traduziu para ela o que a cerimonialista tinha dito.

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