O sol mal começava a desenhar tons dourados nas cortinas do hotel quando um grito atravessou o quarto:
— BOM DIA, NOIVINHA DO ANO!
Francine soltou um resmungo abafado, puxando o travesseiro sobre a cabeça.
Mas era tarde demais.
Malu já estava em cima da cama, pulando como uma criança em dia de Natal.
— Chegou o grande dia! — anunciou, entre risadas. — Bora, bora, bora que a gente tem um cronograma digno de missão impossível!
Francine ergueu o travesseiro e o usou como escudo.
— Amiga, o casamento é só no fim da tarde… temos o dia inteirinho pra eu viver o auge da senhorita Morais: cama confortável, vista maravilhosa e...
— ... e nada! — Malu interrompeu, arremessando outro travesseiro que acertou Francine em cheio. — Hoje não tem preguiça! Você tem unha, cabelo, maquiagem, spa e o caramba a quatro pra fazer.
Francine suspirou, se rendendo, e se sentou na cama, o cabelo uma bagunça encantadora e o rosto amassado de sono.
— Tá bom, tá bom. Me dá cinco minutos pra acordar… ou dez, vai.
Foi quando bateram à porta.
— Senhorita Francine, temos uma entrega para a senhorita — anunciou o camareiro do outro lado.
Francine, curiosa, foi até a porta, e quase tropeçou pra trás ao ver o tamanho do buquê que ele carregava.
Era um mar de flores que mal cabia nos braços dela: peônias e hortênsias rosadas, mini-rosas em tons de champanhe, orquídeas brancas salpicadas entre as pétalas, e um aroma doce e fresco que preencheu o quarto inteiro.
— Santo Deus — murmurou Malu, arregalando os olhos. — Isso é um buquê ou uma floricultura inteira?
Francine riu, pegando o arranjo com esforço.
— Acho que o Dorian confundiu “lembrancinha” com “jardim botânico”.
Sobre o meio do buquê, um pequeno envelope branco.
Ela abriu com cuidado e leu, o sorriso se formando no canto da boca:
“Contando os minutos para passar você para o meu nome. — Dorian Villeneuve.”
Francine balançou a cabeça, divertida.
— É um idiota charmoso mesmo. — Estendeu o cartão para Malu. — Pelo visto, você não é a única ansiosa hoje.
— Não acredito que o homem mais frio do Brasil virou um romântico incurável. — Malu pegou o cartão e suspirou. — O amor faz milagres mesmo.
Francine pousou o buquê sobre a cama, e só então percebeu que havia uma pequena caixa preta presa entre as flores, envolta por uma fita dourada.
— Opa… o que temos aqui? — perguntou, desamarrando o laço.
Dentro, repousava um relógio delicado, de pulseira fina em ouro rosé, o mostrador minimalista com pequenos diamantes no lugar dos números.
No verso, uma gravação: “O tempo é todo nosso agora.”
O sorriso dela ficou ainda mais suave.
— Eu devia saber. Ele não manda flores à toa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras