Malu empurrou o celular na direção de Francine, com os olhos arregalados.
— Lê isso. Agora.
Francine arqueou uma sobrancelha, pegando o aparelho das mãos dela.
Bastou um segundo para a manchete saltar diante dos seus olhos:
“Casal de estelionatários procurado pela justiça é preso tentando fugir do Brasil.”
Ela começou a deslizar o dedo pela tela, lendo cada linha em silêncio, e a cada nova frase, o cenho dela se franzia um pouco mais.
“Gaspar e Magnólia Morais, acusados de aplicar diversos golpes de estelionato em famílias de alto padrão, foram presos nesta manhã ao tentar embarcar em um voo com destino à França utilizando identidades falsas. O casal já era investigado e teve prisão preventiva decretada dias atrás, após o golpe mais recente em uma família de empresários paulistas. Foram reconhecidos pela equipe de segurança e detidos ainda no aeroporto.”
Francine piscou, sem acreditar.
Releu o trecho duas vezes, como se tentasse encaixar o absurdo da notícia na realidade.
Por um instante, ficou completamente imóvel.
E então, sem aviso, uma risada escapou, curta, descrente, crescendo até se tornar uma gargalhada alta, daquelas que vêm do alívio e da ironia misturados.
Malu a olhava, confusa, o celular ainda estendido entre elas.
— O que foi? Por que você tá rindo?
Francine enxugou uma lágrima de tanto rir, recuperando o fôlego.
— Porque nem era uma armadilha, mas funcionou perfeitamente pra pegar os ratos.
Malu ainda segurava o celular, os olhos arregalados, enquanto Francine ria tanto que precisou se apoiar na mesa.
O som de sua gargalhada ecoou pelo salão elegante, atraindo olhares curiosos de alguns hóspedes, mas ela não parecia se importar nem um pouco.
— Eu… eu não tô entendendo nada! — disse Malu, confusa, olhando de novo para a tela. — Como assim, “funcionou perfeitamente”? Isso é uma notícia de prisão, Francine!
Francine respirou fundo, tentando conter o riso.
— Ah, Malu… se eu te contar, você vai rir também.
— Então conta logo, criatura, antes que eu morra de curiosidade!
Francine se encostou na cadeira, ainda rindo, e explicou:
— No dia que fui à mansão pedir sua ajuda com o casamento, meus pais apareceram lá na porta, como dois fantasmas de terno e vestido barato. Se convidaram pro casamento, acredita?
Malu arregalou ainda mais os olhos.
— Eles o quê?!
— Sim. Disseram que “só queriam estar presentes no momento mais importante da minha vida”. A audácia deles é quase admirável.
Malu tapou a boca, chocada.
— E o que você fez?
Francine deu de ombros, pegando sua xícara de café.

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