O pqueno cais às margens do rio fervilhava de movimento.
O sol da manhã dourava as águas do Sena, e o reflexo tremeluzente parecia dançar junto com o burburinho da equipe que corria de um lado para o outro, ajustando os últimos detalhes.
Malu parou no meio do caminho, boquiaberta, segurando a mão de Francine para garantir que ela não estava imaginando tudo aquilo.
— Eu admito — ela disse, ajustando os óculos escuros enquanto observava o barco ancorado. — Quando você disse “vou casar num barco”, achei que você tivesse perdido o último parafuso. Mas… meu Deus, amiga… isso aqui tá surreal.
Francine sorriu, orgulhosa.
— Eu te avisei que você ainda ia mudar de ideia.
— Que ideia maravilhosa, viu? — Malu continuou, girando como uma turista emocionada. — É exclusivo, é elegante, é intimista… e ainda vai passar pelos cartões-postais da cidade! Quem perder o horário literalmente perde o casamento! É tão a sua cara que chega a dar vontade de te socar.
Francine riu.
— Eu queria algo nosso, algo único. Nada mais original do que casar enquanto Paris passa pela janela, né?
— Único? — Malu colocou as mãos na cintura. — Isso aqui é praticamente um cenário de cinema, amiga. Se você não viralizar depois disso, eu desisto da humanidade.
Funcionários da decoração alinhavam cadeiras brancas sobre o deque do barco, enquanto outros ajeitavam guirlandas de peônias, orquídeas e rosas em tons suaves.
Fitas de seda balançavam ao vento.
Outro grupo cuidava das luzes, fios de pequenas lâmpadas cintilantes que seriam acesas quando o sol se escondesse, transformando o convés em um céu particular.
Francine observava tudo com olhos brilhantes.
Era exatamente como imaginara… talvez até melhor.
— Eu sabia que ficaria lindo — ela disse. — Mas ver tudo acontecendo assim… supera qualquer sonho.
— Amiga — Malu respirou fundo — você vai casar deslizando pelo Sena. Isso aqui é o auge da estética “casamento de novela das nove”.
Elas ainda riam quando um carro preto se aproximou.
As portas se abriram, e Dorian e Cassio desceram, impecáveis como sempre: Dorian em um terno cinza claro sob medida, Cassio com o charme habitual e um sorriso fácil.
Francine sentiu o coração acelerar no instante em que viu o noivo.
Ele se aproximou com aquele andar calmo e confiante, e Malu, percebendo o olhar apaixonado entre os dois, pigarreou discretamente.
— Senhorita Morais — disse Dorian, com o sorriso no canto da boca. — Está linda, mesmo antes de se arrumar.
— Senhor Villeneuve, guarde o charme pro altar — ela retrucou, tentando disfarçar o rubor. — A gente ainda precisa fingir que é um casamento de gente elegante.
Cassio, observando de longe, sorriu e cumprimentou as duas com educação.
— Bom dia, senhoritas.
Malu endireitou a postura e respondeu com formalidade exagerada.
— Bom dia, senhor Cassio.
Ele arqueou uma sobrancelha, divertido.
— Senhor Cassio? Achei que já tivéssemos passado dessa fase.
— Não lembro de termos autorizado apelidos — ela respondeu, contida, embora o sorriso traísse sua tentativa de frieza.
Francine observou a troca entre os dois e murmurou para Dorian:

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