O spa da noiva parecia uma cena arrancada de um comercial de perfume francês: luz dourada atravessando as cortinas, aroma de lavanda no ar, bandejinhas com macarons coloridos e duas mulheres de roupão felpudo vivendo o luxo absoluto como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Malu estava jogada na chaise longue, com uma máscara hidratante no rosto e os pés mergulhados numa bacia de água morna, quando soltou:
— Amiga… sinceramente? Se eu soubesse que casar com o Dorian vinha com spa, manicure, comidinhas, viagem pra Europa, barco chique e meia dúzia de franceses me chamando de “mademoiselle”, eu teria te empurrado no pescoço dele muito antes. — Ela ergueu as mãos dramaticamente. — Meses perdidos. MESES.
Francine, com as mãos sendo massageadas pela manicure, nem abriu os olhos.
— Já que gostou tanto, casa você com o Cassio… — murmurou, completamente relaxada. — Aposto que ele te transforma em esposa-troféu em duas semanas.
Malu engasgou com o próprio ar.
— Eu? Esposa-troféu? Francine, minha filha, eu nasci pra ser o troféu inteiro, com pedestal e tudo. Mas esse homem aí… — ela fez um gesto vago, fingindo desdém. — Você tá imaginando coisas.
— Imaginando? — Francine abriu um olho, maliciosa. — Não é o que ta parecendo.
Malu ficou vermelha até as orelhas.
— Cala a boca e aproveita tua massagem, vai.
A equipe de maquiagem entrou logo depois, transformando o ambiente num pequeno templo de beleza.
Francine sentou diante da penteadeira, com a luz amarelada banhando seu rosto, e a maquiadora começou o ritual com a precisão de um artista: pele iluminada, sombra dourada esfumada com perfeição, cílios longos que abriam o olhar, batom rosado com acabamento aveludado.
Ela já era linda, mas naquele instante parecia ter sido talhada à mão.
Seu short bob assimétrico ganhou brilho e movimento com a finalização, cada mecha posicionada de forma a parecer natural demais para ser coincidência.
Malu observava tudo com uma expressão tão emocionada quanto orgulhosa.
— Amiga… desculpa, mas você vai acabar com o psicológico do Dorian hoje.
Francine deu uma risada suave com o comentário de Malu, mas a expressão da amiga, aquela mistura de orgulho e emoção, deixou seu coração quentinho.
E então chegou o momento.
A maquiadora se aproximou carregando a capa transparente que guardava o vestido, e o silêncio se espalhou devagarinho, como se até o ar soubesse que aquilo ali era sagrado.
— Pronta? — Malu perguntou, a voz baixa, como quem não queria quebrar o encanto.
Francine respirou fundo.
— Pronta.
Elas a ajudaram a entrar no vestido com cuidado.
Primeiro a saia leve, depois o corpete, depois as mangas de gazar que deslizavam pelos braços como neblina.

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