O sol já começava a descer sobre Paris, tingindo o céu de dourado quando o burburinho no cais tomou forma.
Não era apenas uma cerimônia, era um acontecimento.
Cada convidado, ao se aproximar, era recebido por um segurança impecavelmente trajado, que conferia nomes em uma lista curta e exclusiva antes de conduzi-los ao barco.
Os mais íntimos, cerca de trinta pessoas, eram guiados até o deck frontal, o coração da celebração.
O espaço parecia flutuar entre o céu e o Sena.
O piso de madeira clara estava impecavelmente limpo, e o vento leve carregava o perfume das flores que decoravam todo o contorno da proa.
Peônias, orquídeas brancas e rosas em tons de champanhe, blush e marfim formavam uma moldura que abraçava o altar sem excessos, mas com um refinamento que deixava a alma leve.
Sobre suas cabeças, fios finíssimos de luzes penduradas criavam a ilusão de um céu estrelado que começava a nascer antes mesmo do anoitecer.
Eram pequenas, delicadas, cintilantes, exatamente o tipo de brilho que não competia com a beleza do momento, apenas o enaltecia.
Nas fileiras da frente, estavam os convidados mais significativos da vida dos dois.
Pascal, tio de Dorian e agente de Francine, ajeitava os óculos com discreta emoção.
Ao lado dele, Denise, a governanta que havia criado Dorian, tentava manter postura firme, mas a expressão denunciava um orgulho tão profundo que fazia seus olhos brilharem.
Ela conhecia cada cicatriz emocional daquele homem.
Ver ele casar por amor era uma vitória que ela jamais imaginara testemunhar.
Enquanto isso, no nível superior do barco, jornalistas, colunistas de moda e fotógrafos selecionados cuidadosamente tomavam seus lugares.
A visão ali era privilegiada, semelhante a um camarote exclusivo, com a vantagem de manter distância suficiente para respeitar a intimidade da cerimônia.
Podiam testemunhar tudo, mas sem roubar a cena.
O casamento não era um espetáculo para eles, era um rito, e eles eram observadores autorizados.
Um trio clássico já afinava seus instrumentos na lateral: violino, violoncelo e acordeão, a alma sonora de Paris.
As primeiras notas preencheram o ar, e, nesse exato momento, com um movimento suave, quase imperceptível, o barco deslizou para fora do cais.
O Sena os acolheu, e a cerimônia passou a viajar junto com a cidade.
As margens iluminadas, as pontes históricas e os prédios que guardavam séculos de história começaram a se mover lentamente ao redor do cenário do casamento, como se assistissem de longe.
Quando o movimento se estabilizou, o mestre de cerimônias fez um sinal discreto.
Era a hora do noivo.
Dorian entrou.
Seus olhos percorreram o caminho até o altar: lanternas de vidro com velas acesas marcavam o trajeto, intercaladas por pequenos arranjos de flores que acompanhavam a paleta suave da decoração.

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