Dorian sentiu o próprio coração parar quando a porta branca se abriu.
Por um instante ele fechou os olhos. Não porque quisesse evitar a visão... Mas porque precisava ter certeza de que ela era real.
Quando voltou a olhar, Francine estava ali. Vestida de noiva. Uma aparição saída de algum lugar entre sonho e milagre.
E nenhuma expectativa, nenhuma memória, nenhuma fantasia que ele já tivesse criado em segredo chegava sequer perto daquilo.
Ela surgiu moldada pela luz dourada do fim de tarde, o vento suave do Sena brincando com o véu leve, que flutuava atrás dela como uma pequena nuvem branca.
A saia ondulava a cada passo, criando o efeito de que ela caminhava sobre o ar, etérea, delicada, quase mágica.
O buquê de orquídeas brancas e rosadas combinava com a pele clara dela, e a tiara, aquela que Dorian lhe dera no baile da Montblanc, cintilava em harmonia com as luzes penduradas acima do deck.
Era como se tudo tivesse sido criado só para enquadrá-la.
E, pela primeira vez na vida, Dorian Villeneuve permitiu que suas emoções o dominassem sem resistência.
Um sorriso enorme, sincero, completamente desprotegido, tomou conta do rosto dele. Os olhos arderam imediatamente, e uma lágrima se formou antes que ele pudesse impedir.
Cassio, ao seu lado, inclinou-se para comentar em voz baixa:
— Eu te disse que essa mulher merecia uma estátua.
Dorian soltou uma risada curta, quase rouca, e, com o polegar, enxugou discretamente a lágrima que ameaçava cair.
— Ela merece tudo. — murmurou.
Do outro lado, Francine sorriu do mesmo jeito, um sorriso largo, vulnerável, emocionado. Os olhos dela também brilhavam, espelhando o dele.
Ela respirou fundo.
E começou a caminhar.
Apesar de já ter cruzado passarelas gigantescas, enfrentado plateias exigentes, fotógrafos, críticos e o mundo inteiro observando cada passo… nada se comparava à sensação de caminhar rumo ao amor da vida dela.
O deck parecia longo demais, e ao mesmo tempo curto demais.
Seu coração batia tão forte que ela quase temeu que os outros pudessem ouvir.
Francine, que sempre dominou cada passo de catwalk, pela primeira vez na vida precisou se lembrar de como era simplesmente andar.
Sentiu vontade de rir, chorar e sair correndo, tudo ao mesmo tempo.
Não por medo… mas pela intensidade.
Seus olhos percorreram os convidados, e, ao avistar Adele e Pierre na primeira fileira, as figuras que se tornaram sua família na França, sua garganta se fechou.
Adele estava com as mãos no peito, já aos prantos.
Pierre, orgulhoso, segurava um lenço dobrado.
Eles a acolheram quando ela era apenas uma estrangeira perdida no meio de Paris e agora estavam ali, vendo-a se casar.
Francine deixou escapar uma lágrima solitária, mas o sorriso permaneceu no rosto.
Então ela ergueu o olhar novamente e encontrou Dorian.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras