O barco avançava sem pressa pelo Sena, cada metro percorrido banhando o convés em tons dourados das luzes da cidade.
Então, enquanto o barco passava sob o arco imponente da Pont Alexandre III, a mais ornamentada, a mais dourada, a mais parisiense de todas, o celebrante respirou fundo, sorriu para o casal e anunciou num sussurro reverente:
— Agora… é o momento de vocês.
Dorian virou o corpo de leve na direção de Francine.
O vento brincava com o véu dela, e a luz dourada contornava seu rosto como se a cidade tivesse emprestado o brilho só para aquele instante.
Ele não tinha papel nas mãos.
Nenhum caderno, nenhuma anotação, nenhum celular.
Nada.
Francine percebeu isso no mesmo segundo em que os olhos dele encontraram os dela.
Dorian ia falar de cabeça.
Claro.
Claro que o homem certinho, calculado, metódico… teria decorado seus votos.
Mas havia algo nos olhos dele, uma vulnerabilidade calma, firme e tão sincera, que ela nunca tinha visto.
Ele respirou fundo e começou:
— Francine… Quando eu te conheci, eu achava que sabia exatamente quem eu era.
A voz dele era baixa, grave, ritmada. O tipo de voz que parecia conversar direto com a alma dela.
— Eu sabia onde pisava, o que queria, o que não queria, o que permitia e o que jamais permitiria. A minha vida era feita de controle, precisão… e silêncio.
Francine sentiu o coração bater mais rápido, como se respondesse a cada palavra.
— E então você surgiu — ele continuou, sem desviar o olhar. — Invadiu uma festa, usava uma máscara, estava atrás de um olheiro… e me encontrou no processo.
Alguns convidados riram baixinho. O comentário era uma flecha certeira na memória coletiva.
— Eu poderia dizer que foi acaso. Mas seria mentira. Nada em você é acaso. Você é impacto. Você é caos. Você é o tipo de tempestade que não destrói, transforma.
Francine apertou discretamente os dedos dele.
— Eu lembro do primeiro conselho que o Cassio me deu sobre você — Dorian disse, lançando um rápido olhar para o melhor amigo, que já estava vermelho de orgulho. — Ele falou: “cumprimenta os funcionários; vai confundir a mente dela”.
Algumas risadas discretas surgiram.
Francine virou os olhos na direção de Cassio, escandalizada.
— Você é a mulher que me tirou do gelo — ele disse, a voz tremendo pela primeira vez. — Que me ensinou que amar não me enfraquece… me humaniza. Que me mostrou que família não é sangue, é escolha.
Ele respirou devagar, e completou:
— E eu te escolho. Todos os dias. De todos os jeitos.
Francine soltou uma risada chorosa, emocionada.
— Eu escolho seu caos. Seu riso debochado. Seu olhar teimoso. Sua coragem. Eu escolho o jeito como você ilumina tudo o que toca, inclusive a minha vida.
O vento soprou de um jeito diferente naquele instante. Como se a própria cidade prestasse atenção.
— Eu prometo ser seu porto seguro, mesmo quando o barco do mundo balançar — ele disse, olhando em volta com um sorriso leve. — E prometo correr se você resolver me arrastar. O que, convenhamos, é provável.
As pessoas riram.
— Eu prometo não tentar controlar o destino… mas estar pronto para cada curva que você provocar nele. E prometo amar você. No silêncio e no barulho. Na ordem e no caos. Hoje, amanhã… e no infinito desse “sim”.
O silêncio que seguiu foi mais bonito do que qualquer música.
Dorian ergueu a mão e enxugou a lágrima que finalmente caiu do rosto dela.
— Eu te amo, Francine. E eu sou um homem melhor por sua causa.

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