Francine estava parada, imobilizada como se o tempo tivesse prendido o ar ao redor dela.
Os votos de Dorian ecoavam na mente, cada palavra ainda vibrando como cordas de violino bem afinadas.
Ela piscou algumas vezes, não para enxugar as lágrimas, que já escorriam sem vergonha, mas para tentar acreditar que aquele homem… aquele homem ali… tinha acabado de falar tudo aquilo. Em público. Em Paris.
— Caramba, Villeneuve… — ela murmurou, meio rindo, meio chorando. — Assim você acaba comigo antes mesmo do “sim”.
A plateia riu com ela, a tensão romântica dissolvida num sopro leve e humano.
Francine respirou fundo, puxou o ar pela boca e, como boa palhaça que era, recuperou o brilho debochado dos olhos.
— Tá. Agora é minha vez. Mas já aviso… — ela virou para Malu. — Eu não decorei nada. Eu não tenho essa memória de robô do meu noivo, então… me dá aí.
Malu, como quem já esperava, abriu a clutch e tirou o celular novíssimo.
— Presente dele, aliás — Francine comentou, erguendo o aparelho. — Tenho que fazer jus ao investimento, né?
As risadas vieram imediatamente.
Ela destravou a tela, respirou fundo e encarou o noivo.
— Vamos lá… — disse, ajeitando o vestido com a mão livre. — Me perdoa se minha voz tremer, tá? Juro que não é nervosismo. É só amor demais brigando pra sair ao mesmo tempo.
Dorian sorriu. Aquele sorriso raro, inteiro, que ela aprendeu a amar mais do que qualquer pôr do sol.
Francine começou:
— Dorian… quando eu te vi todo imponente naquele baile, eu pensei: “Esse homem aí… não existe pra gente como eu.”
Algumas pessoas riram baixinho.
— Eu era só uma empregada. Você era o CEO mais impossível, inacessível e irritantemente lindo que já pisou na Terra. E eu? Eu tinha um vestido de festas no quarto de empregada e um sonho guardado num bolso furado.
Ela deu de ombros.
— E mesmo assim… você me viu.
Os olhos de Dorian marejaram de novo.
— Mas não foi fácil não, tá? — ela continuou, ainda com o celular na mão. — Depois daquele baile, da máscara, da confusão… levamos dois meses pra ficar juntos de novo. Porque, obviamente, eu tinha que complicar, né?
Dorian soltou uma risadinha.
— Aí brigamos. E eu fui embora. E advinha? Mais dois meses até nos reencontrarmos no baile da Montblanc. E depois mais dois meses até esse pedido maluco em plena passarela. E hoje… estamos aqui.
Ela levantou o olhar, emocionada.
— Pode parecer pouco pra quem vê de fora. “Ah, seis meses, que rápido.” Rápido? Se eu fosse contar TUDO que aconteceu nesses intervalos… o barco chegava no mar, voltava, e ainda ia faltar história.
O público gargalhou.
— Teve confusão, teve luta, teve ciúme, teve crise, teve escolhas, teve dúvidas… teve explosão, né? — ela falou, arqueando a sobrancelha com um sorriso maroto.
Dorian apertou a boca para não rir.
— Mas, no meio de tudo isso… teve você me olhando como se eu fosse alguém que valia a pena acreditar. Antes mesmo de eu acreditar em mim. Teve você segurando o meu mundo quando ele queria desabar. Teve você abrindo espaço na sua vida certinha pra minha bagunça, minha impulsividade, meu caos.
Os olhos dela brilhavam como o Sena refletindo o brilho da cidade.
— Teve você correndo atrás de mim em outro país, enfrentando perigo, enfrentando um maluco, enfrentando sua própria história… Só pra me dizer que eu era o amor da sua vida.
Ela respirou fundo.
— Então, Dorian… hoje eu te prometo aquilo que eu descobri com você. Prometo te amar como você me ama: com firmeza, com coragem e, às vezes, com teimosia. Prometo rir das suas manias, cuidar de você nos seus silêncios e fazer bagunça suficiente pra te lembrar que viver também é perder o controle. Prometo nunca deixar sua vida voltar a ser monótona. Prometo ser seu caos preferido.
Ela estendeu a mão e segurou a dele.
— E prometo, acima de tudo… que nunca mais vai ser preciso dois meses pra gente se entender. Agora, você não se livra de mim nem por decreto.
O público reagiu com risadas suaves e emocionadas.
Francine respirou fundo, abaixou o celular e concluiu:
— Eu te amo, Villeneuve. E eu nunca mais quero viver uma vida que não tenha você nela.

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