— Minha noivaaa! — Malu cantou, abraçando Francine com a força de quem tinha bebido mais champanhe do que pretendia. — Você estava perfeita. Per-fei-ta. Eu tô tão orgulhosa que nem sei como meu coração não explodiu.
Francine riu e a segurou pelos ombros, só por precaução.
Cassio se aproximou um passo atrás, com a mão já posicionada meio que no reflexo na lombar dela, pronto para salvar qualquer tropeço iminente.
— Ela tá ótima — ele afirmou à Francine, num tom que misturava paciência, carinho e um leve desespero. — Eu vou escoltar essa criatura em segurança até o hotel. Palavra de honra.
Malu estreitou os olhos para ele, balançando o dedo como quem tenta mirar num inimigo imaginário:
— Eu não sei se tô 100% segura com o Cassio… — disse, com a voz arrastada. — Ele tem cara de vilão.
Francine colocou a mão na cintura e respondeu na lata:
— Amiga, sinceramente? Eu tô mais preocupada se o Cassio tá 100% seguro perto de você desse jeito.
Cassio levantou a mão imediatamente.
— Obrigado. Alguém finalmente reconheceu a verdadeira vítima da noite.
Malu bufou e deu um tapa leve no braço dele, que ele recebeu como se fosse carinho.
— Vítima nada — ela retrucou, encostando a cabeça no ombro dele num gesto tão natural que até Francine percebeu. — Se eu cair, você me segura. É pra isso que servem os músculos.
Cassio pigarreou, claramente pego de surpresa.
— Tá… vamos indo — disse, com pressa demais. — Antes que ela resolva discursar assim.
Francine e Dorian trocaram um olhar cúmplice enquanto viam os dois se afastando: Malu escorada no braço dele, Cassio guiando-a como se estivesse carregando dinamite emocional instável.
O tipo de cena que dizia tudo sem precisar dizer nada.
O carro os aguardava logo na saída.
Cassio abriu a porta do passageiro e ficou segurando o teto com uma mão, protegendo a cabeça dela enquanto a ajudava a entrar.
Malu colocou um pé no banco, depois o outro, e o vestido subiu junto, revelando uma perna inteira até a metade da coxa.
Cassio congelou por meio segundo. Meio segundo longo demais.
A perna dela parecia iluminada pela própria lua.
Ele prendeu a respiração e puxou o vestido discretamente para baixo, tentando devolver alguma dignidade à peça.
Tentando devolver alguma dignidade ao próprio cérebro.
— Respira, idiota… — ele murmurou baixinho para si mesmo, enquanto ajeitava as pernas dela dentro do carro. — Ela tá bêbada. Muito bêbada.
Mas Malu já tinha percebido o momento exato em que ele se perdeu.
— Ei… — ela arrastou a voz, apoiando o cotovelo no banco. — Você tá me comendo com os olhos, Cassio.
Ele travou.
— Eu não tô fazendo nada disso — rebateu rápido demais. — Você tá imaginando coisas. Só… precisa descansar um pouco.
Malu sorriu torto, aquele sorriso que só ela conseguia dar, metade charme, metade caos.
— Claro. Cansada. Exausta. Quase morta. Mas ainda com olho pra ver coisa bonita.
Cassio apertou o volante imaginário da própria paciência.
— Entra no carro, Malu.
Ele fechou a porta, respirou fundo umas três vezes, e deu a volta, sentando no banco do motorista.

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