Enquanto isso, no barco, o convés ficou silencioso.
Dorian entrelaçou os dedos nos de Francine.
— Pronta? — ele perguntou.
Ela sorriu.
— Pra você? Sempre.
Ele a puxou para mais perto, plantou um beijo demorado em sua têmpora e murmurou:
— Saint-Tropez nos espera.
Eles desceram pela passarela iluminada que conectava o barco ao cais, passando por um pequeno grupo de funcionários que os aguardava.
Um carro preto já estava estacionado ali, motor ligado, pronto para levá-los.
O carro avançou pelas ruas noturnas de Paris até um pequeno aeroporto particular.
Em poucos minutos, eles estavam diante do jatinho que aguardava silencioso na pista, a escada iluminada por luzes suaves.
— Você fretou um jato só pra gente? — Francine perguntou, arqueando a sobrancelha com um sorriso malicioso.
— Meu amor… — ele segurou a cintura dela. — Depois de tudo que vivemos, você acha mesmo que eu ia te levar pra lua de mel em voo comercial?
Francine gargalhou, e o som ecoou pelo vento frio da noite.
— Ok, Villeneuve. Ponto pra você.
Eles subiram a escada de mãos dadas, e em poucos minutos o jato cortava o céu, deixando Paris como um brilho dourado distante.
Lá dentro, o silêncio era confortável, envolvente. A cidade se transformava em constelações sob os pés, e Francine apoiou a cabeça no ombro dele.
— Cansada? — ele perguntou, beijando o alto da cabeça dela.
— Um pouco. Mas feliz. Muito feliz.
— Ótimo. Aproveite essas horas de viagens para descansar. — Ele sorriu. — Quero que esteja descansada quando chegarmos.
— Por quê?
Ele não respondeu. Só deslizou os dedos pela coxa dela sob o vestido, num toque lento, prometedor, que fez seu estômago saltar.
Horas depois, quando o carro parou diante do hotel em Saint-Tropez, Francine quase perdeu o fôlego.
Era uma daquelas construções brancas e elegantes da Riviera Francesa, com varandas amplas, palmeiras alinhadas como guardiãs e luzes suaves iluminando a entrada. Parecia uma pintura.
— Dorian… — ela sussurrou. — Isso é lindo.
— Só o melhor para a minha esposa.
A palavra caiu entre os dois como algo quente, íntimo, perfeito.
Antes que ela pudesse responder, ele a pegou no colo, sem aviso nenhum.
— Dorian! — ela riu, agarrando-se ao pescoço dele. — O que você está fazendo?
Ele caminhou com passos lentos, firmes, a expressão séria e ao mesmo tempo cheia de desejo.
— Carregando a senhora Villeneuve para o quarto de lua de mel. — Ele deu um sorriso malandro. — Você achou que eu ia deixar passar essa tradição?
Francine sentiu o coração desmanchar inteiro.
Ele empurrou a porta do quarto com o pé, sem soltá-la, e a acomodou nos braços como se ela fosse a coisa mais preciosa que já segurou.
O quarto estava silencioso, iluminado apenas pela luz suave que vinha da varanda.
Dorian carregou Francine até a cama e a colocou ali com uma delicadeza quase reverente, como se tivesse medo de quebrá-la.
— Eu também não acredito. Casei. Com você. O homem mais impossível do planeta.
— E ainda assim, você ficou — ele murmurou, beijando o ombro dela com ternura. — Obrigado.
Ela não respondeu com palavras.
Apenas deslizou as mãos pelos ombros dele, sentindo a firmeza, a forma, o calor.
Apertou um pouco mais e arranhou de leve as costas dele.
Depois começou a abrir a camisa, botão por botão, espalmando as mãos contra o peito dele assim que o tecido se abriu.
Dorian respirou fundo, como se aquele toque tivesse desmontado todas as defesas dele.
As mangas do vestido escorregaram dos ombros dela quando ele as puxou com calma, revelando a pele devagar, como se fosse um presente que ele estivesse abrindo pela primeira vez, mesmo já conhecendo cada detalhe.
Francine deitou-se de novo quando ele a guiou com o corpo, e Dorian a acompanhou, descendo o vestido por completo até que o tecido deslizou pela cama e caiu sobre o tapete, silencioso.
Ela passou as mãos pelo rosto dele mais uma vez, como quem confirma que aquilo era real.
— Eu te amo — ela disse, simples, honesto, quase sussurrado.
— Eu também — ele respondeu, beijando-a com a mesma calma com que tocava sua pele. — E hoje… hoje eu sou seu. De corpo, alma e papel assinado.
Ele a abraçou então, um abraço inteiro, profundo, antes de voltar a beijá-la, lento, seguro, sem pressa alguma.
Não havia urgência.
Só eles dois.
Casados.
Finalmente.

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