Cassio olhou para o relógio, o sol refletindo no aro metálico por um instante.
— Vamos? — ele disse com a voz calma, mas firme.
Malu ergueu o rosto para ele, surpresa.
— Já?
— Já. — Ele conferiu as horas de novo. — Inclusive já passamos bastante os vinte minutos que você estabeleceu.
Malu riu, um riso que até o vento pareceu gostar.
— Esse lugar é tão bonito que nem vi o tempo passar.
Cassio deu aquele sorriso de canto… o sorriso que sempre parecia saber mais do que dizia.
— Eu acho que foi a minha companhia… mas ainda é cedo pra você admitir. Te entendo.
— Ridículo — Malu resmungou, ajeitando a bolsa no ombro.
— Eu não tenho problemas pra admitir que sua companhia é maravilhosa — ele continuou, abrindo caminho pelo jardim — mas o dever me chama. Meu voo sai em algumas horas, e como Dorian tá em lua de mel, alguém tem que trabalhar.
Malu suspirou dramaticamente.
— Isso que dá ser um megaempresário.
— Opa. — Cassio ergueu uma sobrancelha. — Isso foi um elogio? Estamos evoluindo.
Malu mordeu o lábio para não rir.
E entrou no carro.
Dessa vez, o silêncio foi confortável.
Não tinha tensão, nem ressentimento, nem aqueles pensamentos caóticos de “meu Deus, será que ele viu mais do que devia?”.
Só um silêncio macio, que preenchia sem pesar.
A cidade passava pelas janelas: as fachadas antigas, o rio brilhando, turistas fotografando qualquer coisa que piscasse.
Cassio dirigia mais leve que de costume. Parecia… tranquilo.
Depois de alguns minutos, ele perguntou:
— E você? O que vai fazer à tarde?
— Vou… — Malu pensou alto. — Vou descansar. Me recuperar da ressaca. — Fez um gesto dramático, tocando a têmpora. — E rezar pra minha dignidade voltar.
Cassio soltou um riso abafado.
— Se você descobrir como faz isso, me avisa. Preciso aprender.
O carro estacionou na porta do hotel.
Cassio desceu primeiro, entregou a chave ao manobrista e abriu a porta para Malu com uma gentileza que ela fingiu não perceber.
Os dois caminharam em silêncio até o elevador.
Silêncio esse que não era desconfortável, mas… elétrico.
Assim que as portas fecharam, Cassio deu um passo em direção a ela.
Devagar.
Calculado.
Perigoso.
Ele se posicionou atrás dela — tão perto que Malu sentiu o calor do corpo dele mesmo sem tocá-la — e, com um gesto suave, passou as mãos pela lateral do corpo dela até surgir na frente, exibindo uma pequena flor diante dos seus olhos incrédulos.
— O que é isso? — ela murmurou, tentando não tremer.
— Peguei enquanto ninguém estava vendo — ele disse, com um sorriso torto. — Uma lembrancinha pra você do nosso encontro.
No fim do dia, o celular vibrou. Francine.
— Ei, Malu — ela disse, rindo baixinho. — Aproveitei que o Dorian foi tomar banho pra te ligar. Como estão as coisas por aí?
— Amiga… eu tô surtando com o Cassio. Eu não tenho coragem de olhar na cara dele depois do que aconteceu.
Um silêncio curioso surgiu do outro lado.
— Então finalmente você parou de bancar a difícil e ficou com ele?
— Não sei.
— Como não sabe?
— Eu acordei e ele tava no meu quarto sem camisa e eu quase nua. Ele jura que não fez nada… mas eu não lembro.
Francine suspirou como quem ouviu uma besteira cósmica.
— E por que você não aproveitou o meio caminho andado? Um homão desses te dando mole e você fazendo a egípcia?
— Quem é você pra falar isso de mim?! Quanto tempo ficou fugindo do Dorian?
— E agora estou em Saint-Tropez casada com ele. — A voz dela veio cheia de sorriso. — Se eu soubesse, não tinha fugido tanto.
Malu bufou.
— Vai curtir sua lua de mel, vai.
— Vou mesmo. — Francine riu. — E você deveria curtir também.
Malu desligou, jogou o celular ao lado e ficou olhando para o teto por longos segundos.
E então pensou, com o coração desorganizado:
"Tarde demais pra querer isso."

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