Dois dias depois, Malu desembarcava no Brasil com uma certeza absoluta: precisava alugar um apartamento.
Não que Dorian e Francine não a quisessem mais na mansão.
Mas ela… ela simplesmente sentia que não fazia mais sentido.
Talvez fosse Paris. Talvez fosse o elevador. Talvez fosse Cassio sussurrando coisas perigosamente memoráveis. Talvez fosse só maturidade.
Ou talvez um misto de tudo isso.
Pela primeira vez na vida, Malu sentia necessidade de privacidade. De ter a própria porta. O próprio teto. O próprio silêncio.
Assim que chegou à mansão, nem desfez a mala.
Passou direto pela cozinha, tirou os sapatos assim que entrou no quarto e já ligou para um amigo corretor.
— Separa umas opções pra mim. Urgente — disse, enquanto andava pelo quarto que já não parecia seu.
No dia seguinte, descansada da viagem e com café reforçado no estômago, Malu partiu em busca do novo endereço.
Andou por bairros estranhos, edifícios que pareciam ter sobrevivido a guerras, apartamentos com cheiro de mofo, janelas tortas, paredes tristes, cubículos que mal poderiam ser chamados de casa.
Cada lugar pior que o anterior.
O sol já começava a cair, o calor diminuía e Malu via seu nível de esperança cair junto.
— Acho que hoje não vai rolar — ela suspirou, abrindo a janela do carro para deixar o vento bater no rosto.
O corretor olhou pelo retrovisor e deu um sorriso misterioso.
— Calma. Guardei um por último. Não estava no orçamento que você disse, mas não é nada impossível. Só… um pouco mais.
— Um pouco mais quanto? — ela estreitou os olhos.
— Um pouco mais “vale a pena” — ele respondeu, enigmático. — Os donos estão indo embora do país, então os móveis vão ficar.
Malu ergueu uma sobrancelha, curiosa e cansada.
E foram.
O prédio parecia uma pequena joia escondida no meio da cidade: portaria privativa, saguão iluminado e impecável, piso brilhando, um jardim com banquinhos, flores e até um pequeno chafariz branco que fazia um som relaxante.
— Meu Deus… — Malu murmurou. — Isso existe mesmo ou vocês renderizam em 3D pra atrair cliente?
O corretor riu.
— Espera até ver o apartamento.
Ela sentiu o coração amolecer.
Ao subir para o apartamento, a surpresa foi completa.
O lugar era… perfeito.

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