Às 20h em ponto, como um relógio suíço, bateram na porta.
Malu parou. Congelou.
Por um segundo, pensou seriamente em fingir que não estava ali, mas suas pernas se moveram sozinhas até a porta.
Ela respirou fundo e abriu a porta tentando manter a expressão neutra, mesmo que o coração estivesse dançando lambada dentro do peito.
E lá estava Cassio.
Parado na porta, camisa branca dobrada nos antebraços, cabelo impecável, duas taças penduradas pelos dedos e uma garrafa de champanhe francês na outra mão.
Ele sorriu com aquele ar de “eu sei exatamente o efeito que tenho”.
— Boa noite, vizinha.
Malu ergueu uma sobrancelha.
— O que você tá fazendo…?
Cassio ergueu as taças devagar, teatral.
— O combinado. Não vai me convidar pra entrar?
Ela cruzou os braços, mantendo a porta só pela metade.
— Ainda não sei se é seguro. Da última vez que ficamos sozinhos eu acordei seminua.
Cassio abriu um sorriso perigoso.
Devagar, levantou o olhar para ela, subindo dos tornozelos ao quadril, seguindo pela cintura, pelo decote sutil do vestido…
Parou nos olhos dela.
— Vestida assim — disse, voz baixa, quente — fica difícil garantir que o resultado seja outro.
Malu arregalou os olhos.
— Eu sabia! — E começou a fechar a porta.
Cassio colocou o pé no caminho na mesma hora, rápido, mas sem brutalidade, segurando a porta com uma das mãos enquanto equilibrava o champanhe com a outra.
— Ei, ei! Brincadeira! — ele riu, levantando as mãos em rendição. — Eu prometo me comportar. Palavra de honra. É só um brinde de boas-vindas, Malu.
Ela ficou um segundo avaliando aquela promessa… Até desistir de raciocinar.
— Tá. — abriu a porta por completo. — Só um brinde.
Cassio entrou.
E de imediato percebeu o perfume de baunilha no ar, as almofadas perfeitamente alinhadas, a bandeja de frios arrumada com precisão matemática…
Mas não comentou nada. O sorriso dele dizia que entendeu tudo.
Malu tentou parecer natural.
— Olha só a vista — disse, andando até a janela.
Debruçou-se no parapeito, inclinando-se para frente.
O vestido subiu um pouco. A saia abriu um pouco. O quadril desenhou uma curva perfeita.
Cassio prendeu a respiração.
Não era champanhe que ele queria naquele momento.
Ela virou o rosto para trás.
— Não é linda?
— É… — Cassio murmurou, sem desviar os olhos. — Linda demais.
Quando Malu voltou para o sofá e se acomodou, ele levou alguns segundos para lembrar como se respirava.
Sentou ao lado dela, abriu o champanhe com um estalo elegante e serviu as duas taças.
— Ao novo endereço — ele disse.
— À paz e tranquilidade — ela completou.
Os dois brindaram.
A conversa começou tímida, mas logo deslizou confortável: histórias de família, as loucuras de Dorian, fofocas da Villeneuve Corp, a discussão sobre quem era pior para o coração alheio, o dólar ou o Cassio.
As risadas cresceram.

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