Francine chegou no apartamento de Malu no meio da tarde, usando óculos escuros enormes, uma bolsa de grife pendurada no braço e uma energia de quem precisava urgentemente despejar fofoca.
Bateu na porta três vezes, com o ritmo de quem exige entrada imediata.
Malu abriu.
— Graças a Deus! — Francine entrou sem pedir permissão, tirando os óculos. — Eu precisava vir antes que eu explodisse. Sério.
Malu riu, fechando a porta.
— Você tá com cara de quem viu um fantasma.
— Não, pior — Francine jogou a bolsa no sofá. — O novo cozinheiro do Dorian.
Malu ergueu a sobrancelha.
— Ué, ele cozinha mal?
— NÃO! Cozinha bem até demais! — Francine jogou as mãos no ar. — Mas… não tem o tempero da minha Maluzinha. — Ela agarrou o rosto da amiga com um exagero dramático. — Não tem o toque, não tem a alma, não tem o… como que fala? O amor de cozinheira fodida da vida.
Malu gargalhou.
— Obrigada pelo “fodida da vida”.
— Você entendeu!
As duas riram.
A energia na sala era de reencontro, bagunça, saudade, amor e zero julgamento.
Francine já estava abrindo os armários.
— Nossa, sua casa é tão lindinha! Aquela vista da rua… eu moraria aqui fácil. Mas antes de qualquer outra coisa: cadê o bolo?
— Tô assando. — Malu apontou para o forno. — Mas você quer café?
— EU QUERO COMIDA DA MALU! — Francine bateu no balcão como se fosse uma juíza decretando sentença divina. — Aquele homem pode cortar legumes em ângulo perfeito, mas não tempera uma carne como você tempera. É uma ofensa ao universo.
Enquanto Malu servia café e cortava uma fatia do bolo quentinho, Francine continuou:
— Eu tive saudade da sua comida. E de você. — Depois completou, zombeteira — Mas aparentemente você teve companhia gastronômica em Paris, né?
Malu bufou.
— Não começa…
— Ah, vou começar SIM! — Francine endireitou a postura, olhos brilhando. — O Cassio me contou que te levou pra passear.
— Me levou pra andar! — Malu corrigiu. — Andar não é se envolver emocionalmente!
— Andar com ele é praticamente assinar a certidão de caos! — Francine deu um gole no café. — E esse café tá melhor do que o da mansão, droga…
Malu suspirou.
— Foi só uma volta no jardim. Ele me salvou de um motim francês. Longa história.
— Eu quero detalhes — Francine insistiu. — Inclusive sobre o beijo.
Malu quase derrubou a xícara.
— Quem… quem disse que teve beijo?!
Francine ergueu a sobrancelha como quem diz “por favor”.
— Eu sou sua amiga, não sou idiota.
Malu colocou água pra ferver, sorrindo.

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