Francine se recostou na cadeira, respirou fundo, e de repente mudou de expressão.
— Agora mudando de pau para cavaco — disse. — O aniversário do Dorian é em algumas semanas.
Malu olhou de canto.
— E…?
— Ele nunca teve comemoração. Nada. Nem bolo de padaria. — Francine olhou para a xícara. — E eu quero fazer algo dele. Algo especial. Mas NÃO SEI O QUE. Festa surpresa? Jantar a dois? Viagem? Uma serenata? Eu tô surtando!
Malu pensou um pouco, mexendo o café.
— Que tal… uma pequena festa surpresa? — sugeriu. — Aqui. No meu apartamento. Você diz que quer conhecer minha casa nova, traz o Dorian… e pronto. Ele não percebe nada. Comemoração íntima, leve e especial.
Francine ficou olhando pra ela como se tivesse recebido uma revelação divina.
— Eu te amo — disse. — Essa ideia é perfeita.
— Eu sei.
— Precisamos planejar o aniversário do Dorian. De verdade. Vou entrar em parafuso se não decidir logo.
Malu sorriu. Era quase comovente ver como a mulher que antes morria de medo de compromisso agora surtava para agradar o marido.
— Certo — Malu disse, puxando o celular. — Vamos começar pelos básicos: convidados, comida, bebida, decoração...
Francine bateu palmas.
— Você virou uma profissional, Malu. — Ela brincou. — Sério, quando eu me aposentar você assume essa carreira. Assessora de eventos, produtora, planejadora de casamentos… você faz tudo.
— Para com isso — Malu riu, mas já abrindo uma nota no celular. — Se eu quisesse organizar eventos já tinha começado, mas eu prefiro organizar a sua vida bagunçada.
— Agradeço. Preciso mesmo — Francine respondeu, com sinceridade inesperada.
Malu levantou e abriu um armário, pegando um caderno velho e uma caneta.
— Vamos começar pelo clima. Algo íntimo, certo?
— Sim — Francine confirmou. — Ele não curte barulho. Nem multidão. Nem gente demais. Nem clima intenso. — Ela parou. — Nossa, como eu casei com esse homem?
— Amor, né? — Malu deu de ombros.
— É — Francine sorriu. — E sexo. Muito sexo.
— FRANCINE! — Malu quase caiu da cadeira rindo.
As duas riram juntas, e a atmosfera ficou ainda mais leve.
— Ok — Malu retomou, anotando. — Intimista. A gente pode colocar umas luzes amarelas, tipo cordãozinho de LED, um jazz ambiente… comida caseira. Eu faço o bolo, claro.
Francine colocou a mão no peito.
— Eu aceito esse presente. O cozinheiro novo do Dorian é ótimo, mas… — ela fez uma careta. — Ele não sabe fazer arroz de verdade. É tudo arroz “gourmet”, arroz “com aroma de não-sei-o-quê”. Eu só queria meu feijão com bacon e meu risoto da Malu.
Malu gargalhou.
— Eu faço. Tudo. O bolo, o risoto, o salgado. Vai ser perfeito. Você toca a campainha, eu finjo naturalidade, Dorian abre a porta e tchanram, parabéns, você não vive mais no mundo dos frios sozinho.
Francine brilhava de felicidade.
— Vai ser perfeito. Perfeito. Obrigada, amiga.
— Claro — Malu deu um sorriso carinhoso. — Você sempre foi minha casa, agora eu posso ser a sua um pouquinho.
Francine abaixou a cabeça, emocionada, mas logo voltou com humor.
— Mas amanhã começamos os trabalhos de verdade de novo, viu? — Francine avisou. — Tem campanha, tem evento, tem viagem… e você vai comigo em tudo.

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