No dia seguinte, Francine chegou cedo no apartamento de Malu para definirem os detalhes da festa surpresa de Dorian.
Entrou já falando alto:
— Amiga, trouxe uma lista de ideias, fotos de referência e três inspirações de bolo. — Ela jogou tudo na mesa. — Antes que você me mate: sim, eu sei que você vai fazer o bolo. Mas eu precisava mostrar.
Malu riu, ajeitando os papéis.
— Eu só mato por motivo sério. Isso aqui é quase fofo.
— Eu sou uma fofura — Francine anunciou. — E agora, sobre os convidados…
Malu ergueu as sobrancelhas, esperando ver uma lista cheia de nomes complicados.
— Então… — Francine deu um suspiro meio dramático. — É aí que entra o problema. Eu não conheço amigos do Dorian além do Cassio. E eu acho que chamar pessoas do trabalho deixaria tudo estranho demais. Ele não curte misturar vida pessoal com profissional.
Malu arregalou os olhos.
— Como assim… só o Cassio?
— É — Francine respondeu inocentemente.
Malu quase engasgou com a própria saliva.
— Isso significa que eu vou ter que ficar sozinha dentro desse apartamento com o Cassio até vocês chegarem? Francine… pelo amor de Deus… você não tem dó de mim?
Francine se encostou no balcão, cruzou os braços e deu um sorriso torto.
— Para de fazer doce e admite logo que a ideia é maravilhosa.
Malu ficou em silêncio.
Por alguns segundos.
Longos segundos.
Porque sua mente já tinha ido longe demais: Cassio no sofá, Cassio segurando taças, Cassio arrumando as luzes… Cassio no apartamento dela…
Sozinhos.
— Não vou responder.
Porque responder seria admitir. E admitir seria morrer de vergonha.
Francine apenas gargalhou.
— Aham — Francine cantarolou. — Te conheço, Malu. Sua cara já disse tudinho.
Malu ignorou a provocação e voltou para os papéis.
Elas mergulharam no planejamento por mais de uma hora: decidiram o cardápio, pensaram na playlist, discutiram sobre o tamanho do bolo, definiram mini-arranjos para a mesa e até escolheram um presente simbólico que representava a nova fase de Dorian.
Era começo da tarde quando saíram para comprar materiais de decoração no centro.
O sol estava implacável, refletindo no asfalto como se a cidade inteira tivesse virado frigideira.
Francine, que normalmente andava com postura de top model olímpica, começou a diminuir o ritmo.
— Malu… — ela murmurou, colocando a mão na parede. — Eu acho que minha pressão caiu.
Malu se virou na mesma hora.
Francine estava pálida, lábios meio esbranquiçados, a mão trêmula.
— Senta. Agora. — Malu segurou o braço dela, ajudando-a a encostar na fachada de uma loja. — Isso é fome. A gente não devia ter saído nesse horário.

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