Na manhã seguinte, antes mesmo do sol se firmar no céu, Francine mandou mensagem:
“To indo fazer os exames. Depois vou tirar o dia pra descansar. Médico mandou.”
Malu respondeu ainda deitada, a cabeça enfiada no travesseiro:
“Vai descansar mesmo, hein. Sem se fazer de teimosa.”
Com Francine ocupada e supostamente repousando, Malu decidiu fazer algo que estava adiando desde que chegou de viagem: faxina pesada.
Colocou um short jeans confortável, daqueles que mostravam mais perna do que escondiam, e um cropped de frente única com amarração no pescoço. O cabelo puxado num coque alto improvisado, com algumas mechas caindo soltas.
Meia hora depois, a sala já estava um caos controlado: panos, baldes, cheiros de produto cítrico, música tocando num volume que só vizinho rico aguenta, porque se dependesse de Malu, o volume estaria no talo.
Quando a fome bateu, ela simplesmente abriu o app e pediu comida japonesa.
— Faxina merece sushi. É lei. — murmurou.
Assim que recebeu a notificação de que o pedido havia chegado, ela desceu para buscar na portaria, descendo pelas escadas porque o elevador estava demorando.
E foi exatamente nesse momento que deu de cara com o que não queria ver: Cássio entrando pela porta de vidro da portaria.
Ele estava daquele jeito irritante de sempre: camisa social clara dobrada nos antebraços, relógio elegante, mochila a tiracolo, óculos escuros no rosto.
Homem em modo "se apaixone por mim sem esforço".
E ela… de shortinho, barriga à mostra, suor da faxina e cheiro de desinfetante.
— Ah não… — sussurrou, virando-se instintivamente para trás da coluna da portaria.
Mas antes que conseguisse virar totalmente, o porteiro a chamou:
— Dona Malu! Seu pedido!
E Cássio, claro, ouviu o nome.
Claro que olhou.
Óbvio que sorriu.
Aquele sorriso.
— Tá tentando se esconder de mim? — ele perguntou, tirando os óculos e pendurando na camisa.
Malu pegou a sacola de comida com rapidez exagerada.
— Eu? Não. Só… tava vendo se o… o azulejo da coluna tava torto.
— Aham. — Ele cruzou os braços, divertidíssimo. — A coluna. Claro.
Ela virou para ir ao elevador, mas ele acompanhou o passo tranquilamente.
— Comida japonesa? — Cássio comentou, inclinando-se um pouco para olhar a sacola. — Espero que tenha pedido um pouquinho a mais pra mim também.
— Não pedi nem pra mim direito, quanto mais pra você. — Malu rebateu, entrando no elevador.
Para sua sorte absoluta, um outro morador entrou logo atrás, ocupando espaço.
Ela respirou aliviada.
Por pouco tempo.
No primeiro andar, o homem saiu.
Porta fechada.
Silêncio mortal.
E então…
Cássio apertou o botão do 24º andar, inclinando o corpo para frente, ficando bem na frente dela, perto o suficiente para ela sentir o perfume e perder uns neurônios de equilíbrio.
— Tem certeza que não quer subir um pouco mais? — ele perguntou baixo, com aquele olhar de “eu sei exatamente o efeito que tenho em você”.

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