Os dias seguintes passaram como se alguém tivesse apertado o botão de velocidade x2 na vida de Malu.
Francine apareceu no apartamento dela várias vezes durante a semana.
Na terça-feira Francine chegou por volta das dez, de vestido branco, cabelo preso num coque elegante e uma fome que nem ela explicava.
— Amiga, pelo amor de Deus, você tem alguma coisa pra comer? — ela perguntou entrando já olhando em volta. — Eu tô morrendo. MORRENDO.
Malu estranhou.
— Você não tomou café?
— Não, o exame tinha que ser feito em jejum de 12 horas. — Francine respondeu abrindo a geladeira. — Mas parece que não como há quatro dias.
Ela comeu duas fatias de bolo que sobrou do dia anterior, abriu um pacote de biscoito, tomou um copo inteiro de suco e ainda assim disse:
— Acho que cabe um pão de queijo.
Malu ergueu a sobrancelha.
— Francine, você tá comendo como se tivesse dois estômagos.
— Deve ser o jejum. Ou o estresse. Ou sei lá. — ela deu de ombros.
Mas não convenceu.
— E os resultados?
— Saem sexta. — Francine mexeu na própria bolsa, evitando o olhar da amiga. — Aí eu levo pro médico no mesmo dia.
— Quer que eu vá com você?
— Não. — A resposta veio rápida e suave. — É só consulta. Não precisa se preocupar.
Malu não comprou nem meio grão dessa tranquilidade, mas deixou passar.
Passaram duas horas ajustando detalhes:
flores, louça, disposição da mesa, onde esconderiam o presente antes da entrada surpresa, a playlist “Completamente não-Dorian” e a lista final de convidados, que continuava com… uma pessoa.
— Só o Cassio, né? — Malu falou fazendo careta.
— Só o Cassio — Francine confirmou, rindo da cara dela. — Ai, amiga… seu futuro está brilhando.
— Cala a boca.
Na sexta-feira, às 11h, o celular de Malu tocou.
Era Francine.
— Amiga, hoje eu não vou conseguir passar aí — ela anunciou, com a voz meio apressada. — Você pode adiantar tudo? Deixar o apartamento meio pronto? Amanhã eu peço reforços pra te ajudar no resto.
— Claro! — Malu respondeu. — Mas e aí, como foi no médico? Deu tudo certo?
Houve um silêncio curto.
Depois, Francine respondeu com uma leve mudança no tom:
— Deu sim. Tá tudo bem. Só vou precisar de umas vitaminas extras.
Malu franziu o cenho.
— Francine…
— É sério! — ela garantiu. — Eu só não vou hoje aí porque… decidi comprar o presente do Dorian hoje. E dia de shopping em mês de promoção é a morte. Se eu não for agora, não vou mais.
Malu sabia que tinha algo mal explicado ali.
Mas também sabia que Francine só falava quando queria.
— Tá bom. Mas me avisa qualquer coisa.
— Aviso sim. Beijo, amiga! Ah, vou mandar entregarem o presente aí na sua casa, você esconde pra mim, hein!

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